Autor: homemclassico

  • Guia dos suspensórios: história, tipos, como usar e onde comprar em Portugal

    Guia dos suspensórios: história, tipos, como usar e onde comprar em Portugal

    A maioria dos homens usa cintos com os seus fatos, mas sabiam que há uma alternativa? Suspensórios (braces para os Inglêses ou suspenders para os Americanos) são uma escolha clássica e bonita para qualquer homem, e têm muitas vantagens!

    Homem a usar suspensórios com um fato clássico na sala de estar, do blog "Bepoke Wrinkles"
    Do blog “Bespoke Wrinkles”

    A história dos suspensórios

    A maioria das fontes online afirma que os suspensórios foram uma evolução das bretelles, um conjunto de tiras que ajudava a segurar as calças no século XVIII.

    Com o crescimento de popularidade de calças no século XIX, Albert Thurston criou os primeiros suspensórios ajustáveis em 1820, que se espalharam por toda a sociedade. A marca ainda existe hoje e continua activa.

    A Primeira e a Segunda Guerra Mundial ajudaram a tornar os cintos mais populares: baixar a altura do gancho era a forma mais fácil de poupar tecido das calças a fim de o racionar, o que fez com que não fosse preciso depender em suspensórios para segurar as calças na cinta.

    Hoje em dia a maioria dos homens prefer cintos para o dia a dia.

    Referências

    Diferentes tipos de suspensórios

    Material

    Os suspensórios podem ser feitos de um material elástico ou de tecido (que não estica).

    Eu aconselho tecido como material para suspensórios. Deste modo, as calças se mantêm-se sempre no mesmo sítio, visto que este material não estica, ao contário de elástico que o faz quando guardamos coisas nos bolsos.

    Sistema de fixação

    Podem ter molas para agarrar às calças, ou ter peças de cabedal/tecido para se afixarem a botões cosidos dentro nas calças.

    Eu aconselho os de botões, porque não estragam o tecido das calças, agarram sempre as calças enquanto os de pinças às vezes soltavam-se das minhas e porque suspendem as calças noutro ponto de contacto mais longe da prega/vinco do meio, o que ajuda a manter a cintura das calças bonita se estiverem ligeiramente folgadas.

    Confesso que associo os suspensórios de molas a um estilo mais casual com o qual me identifico menos, em contraste com os de botões.

    Dois homens a usar suspensórios de botão e de mola.
    Os dois sistemas de fixação. Copyright: JJ Suspenders

    Formato

    Há suspensórios em formato «H» (usado por trabalhadores), em formato «X» (pouco comum) e em formato «Y» (que são os que devem comprar).

    Diferentes formatos de suspensórios: em "Y", em "X" e em "H"
    Diferentes formatos de suspensórios. Copyright: Black Lapel

    Como usar suspensórios

    Suspensórios são considerados roupa interior, por isso não se devem ver. Isto significa que só os devem usar com uma camada a tapá-los, como um casaco ou uma camisola. Isto torna-os menos versáteis no verão, quando não temos tanta tendência a usar agasalhos e queremos estar só de camisa às vezes.

    Devem evitar suspensórios demasiado finos, para não parecerem hipsters, e evitar suspensórios de molas.

    Também não devem usar cintos e suspensórios ao mesmo tempo, excepto os trolhas que usam suspensórios para segurar as calças e um cinto para segurar as ferramentas.

    Em termos de côr das faixas, visto que não se vão ver facilmente, podem ser bastante arrojados e demonstrar a vossa personalidade com vários padrões e cores bonitas. É mesmo uma escolha pessoal.

    Finalmente, é importante tentar condizer as côres do cabedal com as cores dos sapatos. Como sou preguiçoso, prefiro que sejam inteiramente brancos para os poder usar com qualquer par de sapatos.

    Terry da série "Brooklyn 99" a usar suspensórios de mola.
    A personagem Terry Jeffords da série Brooklyn Nine-Nine. Apesar de usar suspensórios suficientemente largos, está a quebrar duas das regras. Copyright: Brooklyn 99 Fandom

    Suspensórios: essenciais para trajes formais

    Ao contrário de ocasiões do dia-a-dia, suspensórios são obrigatórios quando se usa roupa formal: smoking, fraque ou casaca. Estes três códigos de vestir são sempre usados com uma peça de roupa a cobrir a cinta: uma faixa para smoking e coletes para os três.

    Cintos ocupam demasiado espaço na cintura tornando essa zona menos elegante, por isso não são apropriados.

    Os suspensórios mais formais de todos são inteiramente brancos, feitos com tecido moiré (ainda não conheço a tradução em Português). São brancos para condizerem com a camisa e serem discretos.

    Há várias opções: estes da Albert Thurston (opção mais barata aqui). Igualmente, acredito que a Rosa & Teixeira no Porto tem suspensórios todos brancos em stock.

    Daniel Craig protagonizando James Bond no filme "Casino Royale", sentado numa mesa de casino com uma camisa, suspensórios brancos da Albert Thurston e um laço preto de seda.
    Daniel Craig protagonizando James Bond no filme Casino Royale. Só lhe falta estar a usar o casaco do smoking para estar impecável. Copyright: Sony

    Tamanhos

    A maioria dos suspensórios vêm em tamanhos únicos mas é importante verificar duas medidas importantes.

    Em primeiro lugar, a peça de cabedal onde as 3 faixas de tecido se juntam deve ficar entre as vossas omoplatas, senão as faixas vão deslizar pelos vossos ombros, o que torna os suspensórios desconfortáveis. 

    Homem a usar suspensórios por cima de uma camisa, visto de costas.
    Posicionamento correcto do cabedal nas homoplatas. copyright: Bespoke Unit O artigo neste link é bastante bom.

    Em segundo lugar, no seu livro “Dressing the Man: Mastering the Art of Permanent Fashion”, Alan Flusser recomenda que as fivelas de metal fiquem localizadas o mais perto da cinta possível, na zona abaixo das nossas costelas, de forma a que se possam ficar escondidos se usarmos coletes ou faixas formais.

    Na minha opinião, é muito mais importante o cabedal de trás ficar no sítio correcto do que prestar atenção às fivelas, porque pouca gente as vai ver e não impactam o conforto, por isso não recomendo que fiquem obcecados com isto.

    Antigamente muitos alfaiates da Saville Row faziam os suspensórios à medida, por isso acredito que estas medidas se possam ajustar numa costureira ou alfaiate hoje em dia. Deve ser mais fácil ajustar se forem feitos de tecido e não de elástico, o que é, aliás, outra vantagem do primeiro tipo de suspensórios.

    Daniel Craig a usar suspensórios brancos com fivelas douradas.
    Posicionamento correcto das «fivelas» de metal à frente. Podem estar situadas uns centímetros mais acima.

    Vantagens e desvantagens dos suspensórios

    A minha opinião

    Os suspensórios têm várias vantagens em comparação com cintos ou até calças com fivelas no cinto. Mas também não são perfeitos. Aqui estão os prós e contras de usar suspensórios.

    As vantagens de usar suspensórios

    • Mais conforto e liberdade na cintura: permitem usar calças com cinturas um pouco mais largas sem afetar o aspeto geral.
    • Práticos para ir à casa de banho (necessidades líquidas): As calças ficam penduradas dos ombros, logo basta abrir a carcela.
    • Adaptam-se a flutuações de peso: Não se têm de preocupar em apertar os vossos cintos, por isso funcionam mesmo que mudem de peso.
    • Permitem usar as calças na nossa cinta: isto é ainda mais importante para homens com uma barriga grande, porque calças de cintura subida e larga escondem a barriga, enquanto a barriga é realçada com um cinto. Vídeo do “The Big Sartorialist” onde explica isto em detalhe
    Homem com barriga saliente devido a calças de cinta descida com cinto.
    Calças de cinta descida realçam a barriga
    Homem com barriga disfarçada por estar a usar suspensórios.
    As calças disfarçam a barriga. @thebigsartorialist no Instagram.

    As desvantagens de usar suspensórios

    Por outro lado, também têm várias desvantagens:

    • Têm de ser usados com uma camada por cima: sendo considerados roupa interior numa perspectiva clássica, não devem ser vistos.
    • Calças com passadores + suspensórios é um faux pas: idealmente, as calças não devem ter passadores quando usadas com suspensórios. Isso limita a versatilidade dessas calças.
    • Exigem costura: é preciso coser 3 pares botões no interior das calças com 6cm de distância entre os botões de cada par para se usar suspensórios.
    • Menos práticos para ir à casa de banho (necessidades sólidas): temos de tirar todas as camadas em cima dos suspensórios para eles poderem sair dos ombros. É particularmente maçoso no Inverno, quando usamos mais camadas.
    • Demoram mais a vestir e tirar: tempo de manhã quando nos estamos a arranjar é um bem escasso e precioso que suspensórios consomem.

    Onde comprar suspensórios em Portugal?

    A maioria das lojas de fatos costuma ter algumas opções de suspensórios, por isso opções pronto-a-vestir não são difíceis de encontrar.

    Uma loja que gosto muito é a Carmesim Bow Tie em Lisboa, uma vez que vende muitos acessórios clássicos. Vende e produz suspensórios tanto prontos-a-vestir quanto à medida e personalizáveis. Alguns são demasiado arrojados para mim, mas há muitos modelos mais próprios para estilos mais conservadores como o meu. Já fui lá pessoalmente e a dona é muito simpática.

    Felizmente, há muitas opções em segunda-mão, na Vinted por exemplo, por isso não requerem muito investimento inicial.

    Conclusão

    Em conclusão, sou um grande apreciador de suspensórios e aconselho todos a experimentar, mesmo com as suas desvantagens. Tenham cuidado, porque podem ficar viciados e não voltar atrás.

  • Fazer o primeiro fato à medida na Crialme

    Fazer o primeiro fato à medida na Crialme

    Na minha constante procura pelas empresas, marcas e alfaiates Portuguêses que produzem roupa clássica masculina, não tenho tido sorte em encontrar um fabricante que faça roupa à medida sem ser exorbitantemente caro. Ou encontro marcas de gama de entrada de pronto-a-vestir, como a John Tweed, lojas de pronto-a-vestir com tecidos e marcas caras e boas, como a Rosa Teixeira, ou alfaiates que estão fora das minhas possibilidades.

    Até agora.

    Já tinha ouvido falar sobre a Crialme através de vários familiares meus, por isso quando um amigo meu, ATC, decidiu subir a fasquia e comprar um fato melhor do que um pronto-a-vestir, sugeri-lhe irmos visitar este sítio que se tornou num mito no meu subconsciente.

    O que é a Crialme?

    A Crialme é uma fábrica de roupa clássica, masculina e feminina, situada na Rua do Facho nº 41 em Sobrosa, Paredes, a meia hora do centro do Porto.

    Homepage do website da Crialme.
    Homepage do website antigo da Crialme

    Produzem tanto produtos prontos a vestir quanto de alfaiataria industrial (made-to-measure).

    O que é a alfaiataria industrial?

    A roupa produzida pela alfaiataria industrial é feita à medida com moldes padronizados e pré feitos, e depois ajustados através dum computador com as medidas de cada pessoa.

    É um passo abaixo do feito à medida que se espera da alfaiataria artesanal, que desenha os moldes/padrões à mão e consegue ajustar todas as medidas e partes da roupa, mas um passo bastante acima do pronto-a-vestir.

    Isto reflete-se no preço: geralmente os fatos da alfaiataria industrial são o dobro do preço dos pronto-a-vestir, e os «bespoke» são o dobro (e por vezes o triplo) dos da alfaiataria industrial, pelo menos em Portugal. Isto é, um fato pronto-a-vestir custa pelo menos 200-250€, um fato industrial pelo menos 400-500€ e um fato artesanal 800€.

    Visita à loja e primeira prova do fato à medida da Crialme

    Processo da marcação da visita à loja da Crialme

    O primeiro passo foi marcar uma visita. Há dois horários diferentes: o da fábrica (Segunda a Sexta-feira, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 18:00), que é o horário que está no website, e o da loja (Segunda a Sexta-feira, das 10:00 às 12:30 e das 13:00 às 19:30, Sábados 9:30 às 13:00), que é o horário que se vê no Instagram.

    Infelizmente não me responderam ao email que enviei para geral@crialme.pt (aparentemente foi para o lixo), por isso ligámos para o número que está no website (+351 255 868 200), que é o número da fábrica, e fizemos a marcação da visita. Há outro número que aparece nos cartões de visita (255 861 604) que talvez seja o número da loja.

    Os tempos de espera entre a chamada e a marcação estão entre uma e duas semanas e recomendaram-nos marcar um período de 1:30h para a visita. Marcámos para as 18:30 da Quinta-feira, dia 21 de Novembro. 

    Primeiras impressões da fábrica da Crialme

    A distância do centro do Porto à fábrica é de 35km, e chegámos com 15 minutos de antecedência. Ainda bem, porque tentámos entrar pela entrada da fábrica que estava fechada.

    Entrada da fábrica da Crialme.
    Entrada
    Tapete de entrada da fábrica da Crialme.
    Tapete de entrada
    Sala de espera da fábrica da Crialme.
    Sala de espera
    Cartão de visita da Crialme.
    Cartão

    Felizmente uma funcionária viu-nos e informou-nos que a entrada para a loja se fazia por outro lado.

    Mapa da fábrica da Crialme.

    Loja da Crialme

    Entrámos na loja e conhecemos a Srª. Dª. Céu que nos acompanhou durante todo o processo.

    A loja estava bem iluminada, decorada com bom gosto e conseguimos ver um leque grande de produtos, de diferentes estilos e formalidades. Os sapatos interessaram-me logo. Por um lado, vi uns modelos horrendos de cores exóticas que nunca usaria na minha vida, mas por outro vi uns modelos clássicos com preços bastante competitivos: sapatos com a construção «blake» a 130€ e outros «goodyear» (em Português também se chamam «palmilhados») por 200€, da marca Calçado Penha.

    Em termos de acessórios têm gravatas, meias, cintos, suspensórios, botões de punho e lenços de bolso, entre outros. Também têm algumas camisas prontas-a-vestir, mas não fazem camisas à medida. Recomendaram-nos o Sr. Fernando Queiroz da Camisaria Fidúcia, no Porto, que eu já conheço e gosto.

    Loja da fábrica da Crialme.
    Interior da loja da Crialme, 2
    Interior da loja da Crialme, 4
    Interior da loja da Crialme, 3
    Interior da loja da Crialme, 1
    Interior da loja da Crialme, 5
    Colarinhos camisa na loja da Crialme.
    Sapatos na loja da Crialme
    Sola de sapatos na loja da Crialme
    Cinto na loja da Crialme
    Suspensórios na loja da Crialme

    Fazer o fato à medida da Crialme

    Escolher os detalhes do fato

    Depois de termos dado uma vista de olhos pela loja, sentámo-nos com a Srª. Dª. Céu para escolher os detalhes do fato. O meu amigo já tem os fatos basilares, por isso queria fazer um fato clássico e versátil que não se consegue encontrar facilmente em lojas: um fato trespasse.

    Aprendi com a Céu, entre muitas outras coisas, que se costuma usar o termo «trespasse» ou «trespasse duplo» no Norte e «assertoado» no Sul.

    Homem a escolher fazendas de uma parede de amostras na fábrica da Crialme, em Facho, Portugal.
    Sala das amostras de tecidos e fazendas

    A fazenda

    O ATC escolheu um modelo intemporal com 6 botões, numa fazenda (também se pode chamar tecido) “midnight blue” (que é o azul mais escuro que se pode usar para smokings). Esta fazenda fazia parte do inventário da Crialme, então foi mais acessível do que outras opções.

    No entanto, o leque de escolhas de marcas, cores e padrões é quase infinito: Dormeuil, Loro Piana, Holland & Sherry, Colombo, Drago, Zegna e outras.

    Fomos informados que é a escolha de fazenda que determina o preço de cada fato à medida na Crialme e não o modelo ou os detalhes que se preferem.

    Livro com opções de fatos.
    Diferentes opções para casacos trespasse
    Escolher fazendas de 2 católogos de amostras diferentes
    Comparando azul marinho e “midnight blue”

    O forro

    Para o forro, azul escuro para o corpo e azul-bebé com uma risca para as mangas e os bibes dos bolsos.

    Deram-lhe a opção de ter um pequeno texto bordado no forro do casaco, ou com o seu nome inteiro ou com as suas iniciais. Escolheu a segunda opção num azul bébé (a cor 007) com a «Monotype Corsiva» como fonte tipográfica. Exatamente o que eu escolheria.

    Também ofereceram para colocar a etiqueta do tecido (Vitale Barberis Canonico) no interior do casaco, detalhe que foi considerado irrelevante.

    Escolher a cor do forro do fato na loja da Crialme.
    Combinação de fazenda, forro e forro para os detalhes
    Escolher a tipografia do bordado de um fato da Crialme.
    Opções de fontes tipográficas para o bordado do forro
    Escolher cor do bordado no forrode um fato da Crialme.
    Opções de cores para o bordado do forro

    Para a parte de baixo da gola, que só fica visível quando se levanta a gola para nos protegermos do vento gelado, um tecido azul escuro. Lapelas em bico, que são as únicas apropriadas para um fato trespasse visto que são mais formais, e com picotado.

    Forro da gola de um fato da Crialme
    Opções para a parte de baixo da gola, escolheu-se a mais escura

    Os bolsos

    Escolheu bolsos de portinhola, ou «com pala», com um terceiro bolso acima do bolso direito, apelidado «bolso de bilhete».

    Os botões

    Os botões escolhidos foram azuis escuros, a fim de não condicionarem a escolha de sapatos para serem da mesma, porque se fossem pretos ou castanhos condicionariam (no entanto sou da opinião que este fato só se deve usar com sapatos pretos). Para o fim, mantiveram-se as rachas duplas. 

    Botões disponíveis na Crialme.
    Opções para os botões

    Calças

    Para as calças, preferiu que tivessem presilha em bico centrada na lateral (no cinto), em vez de passadores para o cinto ou só botões para suspensórios.

    O cós do cinto (interior das calças) vai ficar às risquinhas azuis bebé, semelhantemente a uma parte do forro do casaco, e terá uma barra de silicone para fazer aderência à camisa para não sair de dentro das calças. Não terão dobras na abertura (cuffs em Inglês), porque dobras tornam as calças menos formais, e para compensar essa falta de fazenda extra que ajuda a fazer peso para as calças caírem mais elegantemente, foi-lhe recomendado adicionar uma «fita guarda-lamas». Curiosamente algo que faltou foi discutir a existência de pregas, por isso assumo que as calças não as terão.

    Forro de silicone das calças de fato da Crialme.
    Fita de silicone no cinto
    Opções presilhas calças de fato Crialme
    Ppções para as presilhas nº1
    Opções presilhas das calças de fato da Crialme.
    Ppções para as presilhas nº2

     Com tudo escolhido, era altura de tirar as medidas. 

    Tirar as medidas

    Tirar as medidas das calças

    Em primeiro lugar, começou-se pelas calças. Precisava-se de saber qual seria a altura do gancho (que determina onde o cinto vai ficar no nosso corpo). Posto doutra maneira, esta medida determina se as calças vão ser de cinta descida ou subida. O ATC decidiu aumentar a altura ligeiramente, com o propósito de que o cinto ficasse perto, mas não tocasse no umbigo, o que é uma boa escolha para evitar o «triângulo das bermudas».

    Depois apertou-se o cinto e ajustou-se a cava do gancho para evitar que houvesse demasiado tecido no rabo. A Crialme deixa 6cm de fazenda extra nas calças para se poder alargar as calças caso engordemos.

    De seguida mediu-se o comprimento das calças e depois escolheu-se a largura da abertura das calças nos sapatos, que se aumentou. A largura nas coxas e nos gémeos manteve-se como a original. A Céu recomendou não fazer um corte atrás no cinto em V, para se poder alargar as calças sem se notar.

    Apertar o cinto das calças na Crialme
    Apertando o cinto
    Escolher a largura e a quebra das calças na Crialme
    Escolhendo o comprimento e a largura da abertura das calças

    Tirar as medidas do casaco

    Passando ao casaco, o ATC começou por vestir um casaco padrão tamanho 50 nos ombros para termos um ponto de referência.

    Ombros e comprimento

    Manteve-se o comprimento do casaco, que tem de dividir o corpo ao meio (uma boa forma de verificar é ver se conseguimos agarrar no casaco fechando as mãos com os braços esticados, porque os braços dos homens geralmente acabam a meio do corpo). É importante que os ombros sejam escolhidos de acordo com a largura que temos hoje, porque não se podem alargar. No entanto, pode-se apertar os ombros mesmo que não seja eficiente na ótica financeira.

    Costas e mangas

    Todavia, apareceram vincos horizontais e verticais nas costas, que podem ser causados por falta de largura nos ombros ou por uma inclinação dos ombros que o casaco não está feito para acomodar. Também se teve em conta na orientação dos ombros (dianteiros ou traseiros). Depois rodou-se as mangas para evitar vincos nessa zona. É a beleza de se fazer um fato à medida na Crialme: poder ajustar estes pormenores.

    Cinta

    Em seguida apertou-se a cinta. Escolheu-se a posição do botão, que é mais difícil de fazer com casacos trespasse. A Srª. Dª. Céu pediu ao ATC para desapertar o botão sem olhar e ele tocou num sítio abaixo do botão atual, o que significa que é a zona mais confortávelpara o botão.

    Lapelas

    Manteve-se a largura das lapela/bandas/virados. Logo depois, escolheu-se a altura da linha de praça, que separa a gola da lapela, baixando-se ligeiramente.

    Ajustar as costas do casaco do fato na Crialme
    Vendo os vincos das costas causados por ter os ombros mais inclinados do que o casaco permite
    Vincos nas costas do casaco do fato na Crialme
    Rodando as mangas
    Ver a linha de praça do casaco da Crialme.
    Altura da linha de praça

    Tempos de entrega

    Deram-nos um prazo de 1 mês para fazer o fato por isso marcámos a 1ª prova para dia 16 de Dezembro. Disseram-nos para trazer sapatos e uma camisa que se vai usar com o fato, o que fizemos já na primeira visita que recomendo a fazerem, visto que nos deu bastante jeito. Tragam também uma gravata para fechar a camisa, visto que o colarinho fica diferente com uma gravata. O ATC partilhou o seu número de telemóvel para o poderem contactar e, em seguida, a Srª. Dª. Céu deu-nos o privilégio de vermos como se metem as escolhas e medidas no sistema informático. O fato ficou por 450€, que só se paga quando se recebe o produto final. 

    Folha medidas da Crialme 1
    Folha com medidas
    Folha medidas da Crialme 2
    Folha com medidas
    Corredor com peças na fábrica de fatos da Crialme
    Corredor com peças

    Preços das peças feitas à medida da Crialme

    Em termos de preços, peças à medida dependem sempre da fazenda escolhida, por isso os seguintes preços são os preços mínimos, com o tecido mais em conta, para cada peça:

    • Calças >= 110€
    • Colete >= 100€
    • Casaco >= 260€
    • Fato >= 400€
    • Fraque (casaca, calças, colete) >= 700€
    • Sobretudo >= 400€

    Não fiz muitas perguntas sobre preços de peças pronto-a-vestir, mas vimos sobretudos de lã bons, suficientemente compridos e quentinhos por 190€, o que é bastante em conta. Talvez seja o meu presente de Natal para mim próprio.

    Sobretudos na fábrica da Crialme.
    Sobretudos pronto-a-vestir

    Em conclusão, ambos gostámos muito da experiência e esperemos que o fato consiga fazer jus às expectativas. No próximo artigo nesta série sobre a Crialme, vamos falar sobre a 1ª prova do fato e também explorar mais o pronto-a-vestir da loja da fábrica.

    Um grande agradecimento à Srª. Dª. Céu que me respondeu a todas as perguntas que eu fiz (e eu fiz muitas, mesmo muitas perguntas).

  • Como comprar o primeiro fato: 5 dicas práticas

    Como comprar o primeiro fato: 5 dicas práticas

    Comprar o nosso primeiro fato é um marco importante da nossa vida porque sinaliza a passagem da adolescência para a idade adulta. Mesmo assim, vejo muitos rapazes novos a usar fatos que não lhes caem bem, de má qualidade ou simplesmente feios (eu sei porque fui um deles). Neste artigo dou-vos 5 dicas para terem mais confiança ao escolher os vossos primeiros fatos.


    Homem de lado vestido com um fato cinzento escuro.
    O meu primeiro fato cinzento da John Tweed, visto de perfil

    1. Acertar no corte do primeiro fato é essencial

    O corte é a característica mais importante do fato. Um fato de milhares de euros que não assente bem no vosso corpo é como uma roda de um carro quadrada. Seria preciso um livro para explicar todos os detalhes, por isso vou escrever mais sobre este assunto no futuro. Em suma, o mais importante a ter em conta quando se compra o primeiro fato é:

    Casaco: realça a tua silueta masculina

    Ombros: a base do casaco

    Os ombros de um casaco são a parte mais importante do casaco porque são a base do formato “V” que torna o corpo masculino atraente, e porque não podem ser arranjados por um alfaiate. Ombros demasiado pequenos mostram demasiado o músculo do ombro, enquanto se forem demasiado largos costumam descaír.

    Gola: deve assentar rente ao colarinho

    A gola deve estar rente ao colarinho da camisa. Surpreendentemente, é muito comum ver fatos que não assentam bem e criam um espaço gigantesco neste sítio na televisão, especialmente quando os senhores estão sentados. Aliás, é algo que noto sempre quando vejo o telejornal.

    Rei Carlos de Inglaterra a usar um fato.
    Rei Carlos de Inglaterra com um espaço gigante entre o colarinho e a gola
    Fabio Attanasio, da marca
    Fabio Attanasio, dos “The Bespoke Dudes”, com o espaço correcto entre a gola e o colarinho

    Comprimento ideal do casaco

    O casaco do fato deve cobrir o rabo e geralmente deve acabar na base do polegar se tivermos os braços relaxados ao nosso lado.

    Apesar de se poder encurtar o comprimento do casaco, se escolhermos um casaco demasiado comprido e o encurtarmos numa costureira, os bolsos da frente podem ficar demasiado próximos do fim e destabilizar as proporções. 

    Homem a usar um casaco do fato curto, vista de frente.
    O casaco deveria acabar na base do polegar.
    Homem a usar um fato
    Fato “zoot”, uma moda dos anos 30 e 40 nos Estados Unidos da América, onde os fatos eram propositadamente demasiado grandes.

    Largura na cintura: ajustar sem exageros

    O casaco, quando aberto, deve ter o botão a tocar na casa do lado oposto. Fechado, deve ter vincos muito subtis a fim de aconchegar o nosso corpo.

    Um casaco grande na cintura pode ser arranjado, mas com limites. Entre um casaco um bocadinho estreito e um bocadinho largo, escolham o mais largo para depois arranjar. Se a fazenda tiver dobras em X quando apertarem o casaco, está demasiado apertado. Se as duas lapelas não se estiverem quase a tocar quando desapertas o casaco, está demasiado apertado.

    Cava: conforto e mobilidade

    Tem de ser o mais apertada possível sem magoar nem restringir o movimento. Se fôr muito grande, ao levantarmos o braço o corpo do casaco vai se levantar também, o que fica feio e restringe o movimento.

    Não é algo que se possa escolher ao comprar o primeiro fato pronto-a-vestir, nem será uma prioridade, mas é um bónus agradável.

    Calças

    Largura da cintura: aconchegar sem apertar

    E importante que a cintura das calças aconchegue bem a vossa cintura mas que não esteja demasiado larga, senão vai haver demasiado tecido nessa zona e não vão cair bem.

    Eu tenho uma cintura e ancas finas para as minhas coxas e gémeos, por isso costumo ter sempre tecido extra na cintura, que tenho de ajustar.

    Calças de fato demasiado grandes
    Cintura demasiado larga para mim
    Cintura correcta para mim.

    Largura do quadril

    Esta medida refere-se à parte mais larga das calças, que aconchega o vosso traseiro.

    Se estiver muito larga, vão ter fazenda extra enrugada. Se estiver demasiada apertada, vai ser desconfortável sentar e os bolsos vão estar sempre abertos. Acima de tudo, equilibrem conforto e uma aparência sem vincos.

    Calças de fato demasiado apertadas
    Notem os bolsos abertos

    Altura do gancho

    Esta medida refere-se ao comprimento entre a parte superior da cinta na parte de trás das nossas costas e a parte superior da cinta na frente, passando pela nossa virilha.

    Um comprimento menor significa que as calças são de cinta descida, e um maior significa que as calças são de cinta subida. Cinta subida é a melhor escolha para calças de fato porque, para além de ser mais confortável, evita o “triângulo das Bermudas” (aquele triângulo branco da camisa entre as calças e a abertura de baixo do casaco, que se vê quando o casaco é curto ou as calças são de cinta descida). Não tentem usar calças de cinta descida puxadas para cima, porque vai magoar as vossas “joias da família”.

    Diferentes alturas dos ganchos de um par de calças clássicas, do blog "Primer".
    Copyright: primer

    Referências

    1. Gentleman’s Gazette. “How a Suit Should Fit”
    2. The Helm Clothing. 2020. “Top 10 Signs You’re in a Poor-Fitting Suit”
    3. Ask The Gentleman. “Short vs. Regular vs. Long Suit Jacket Lengths”
    4. Bespoke Unit. “How A Suit Should Fit: Men’s Guide To Wearing A Suit Of The Right Size”
    5. Primer Magazine. “Pants Rise Explained (and Why Low Rise Isn’t Always Your Best Choice)”

    2. Escolham uma fazenda em azul-marinho ou cinzento escuro/cinza com um padrão liso

    Ao comprar o primeiro fato, devem escolher cores neutras e clássicas. Azul-marinho e cinzento escuro/cinza são cores apropriadas para qualquer ocasião e combinam bem com uma camisa branca ou azul clara e gravatas de várias cores. Também são cores que se podem usar durante todas as estações do ano.

    Não devem escolher fatos pretos: estes estão reservados para motoristas de limusinas, empregados de funerárias e para o S.I.S.. Eu também não compraria fatos em cores mais claras como cinzento claro ou azul “real”, especialmente se tiverem um grande contraste entre a vossa pele e o vosso cabelo.

    O padrão da fazenda deve ser liso. Podem experimentar com diferentes padrões nos fatos seguintes. Um fato super 100 (esta característica refere-se à largura dos fios de lã, quão maior fôr mais finos são) é mais do que suficiente para primeiro fato. A maioria dos fatos dos anos 50 não ultrapassavam os super 60, de acordo com o @dieworkwear no X.

    3. Simplifiquem os pormenores do primeiro fato

    Devem escolher um casaco simples e versátil, que não fique fora de moda para que possam usar durante vários anos. Deste modo, os pormenores devem ser simplificados.

    Eu aconselho um casaco com abotoadura simples (single-breasted) , de 2 botões. As lapelas devem ser entalhadas/de traçado clássico (notch lapels). O casaco deve ter 2 aberturas/rachas (double vents) no fim das costas. Os bolsos devem ter portinholas (flap pockets). Os botões devem ser da mesma côr do casaco, ou pretos.

    Casaco de fato clássico em cinzento-escuro, da marca Henry Herbert.
    Casaco da Henry Herbert Tailors, com os pormenores certo.

    4. Levem a camisa que vos fica melhor, um cinto e sapatos clássicos quando forem à loja experimentar fatos

    É importante usar a camisa que vos assenta melhor, com uma gravata, quando experimentarem o casaco. O corte da gola do fato pode mudar radicalmente o aspecto do conjunto dependendo do colarinho da camisa, e as mangas do casaco têm de ser encurtadas com base nos punhos da camisa.

    Por isso eu aconselho-vos a comprar uma camisa e ajustá-la às vossas medidas antes de comprarem um fato.

    Falando em calças, levem sempre um cinto convosco. Mesmo que usem suspensórios, todas as calças prontas a vestir vêm com passantes/presilhas e foram cortadas para serem usadas com cintos.

    Não cometam o mesmo erro que eu já cometi: usar suspensórios durante as provas e puxar as calças demasiado para cima durante as provas. Vão estar a usá-las numa posição não correcta para esse par de calças, e como elas vão estar num sítio diferente do natural, a quebra das calças vai ser influenciada por causa disto quando inevitavelmente usarem as calças de volta à posição original.

    A loja pode ter sapatos clássicos para usarem mas aconselho-vos a levar os que já tiverem para tirar as medidas das calças.

    5. Ajustem/alterem os vossos fatos

    O vosso primeiro fato vai ser pronto-a-vestir. Como o fato é feito com os moldes com tamanhos padronizados, os produtores normalmente fazem-nos com as mangas e as calças mais compridas para que caibam ao maior número possível de homens, já contando que as pessoas os ajustem. Fica mais barato do que ter muitos moldes diferentes.

    Muitas lojas têm serviços de costura para ajustar o fato, e a maioria das costureiras consegue fazê-lo. É normal encurtar as mangas do casaco, fazer bainhas nas calças e apertar o fato na barriga e nas costas.

    Alfaiate a ajustar o fato clássico de um homem na alfaiataria.

    Conclusão

    Em conclusão, comprar um fato pode parecer uma tarefa desafiante e hérculiana. Contudo, estas 5 dicas vão garantir que conseguem escolher um bom fato e ter mais confiança quando o usarem.

  • O renascimento da máquina de barbear clássica

    O renascimento da máquina de barbear clássica

    A Gilette introduziu recentemente uma nova gama de produtos chamada “King C. Gilette“, que está à venda nas maiorias dos super e hípermercados em Portugal, que inclui uma máquina de barbear clássica. A primeira vez que a conheci foi no Rock-in-Rio de 2022, através de uma banca que a Gilette montou no meio do festival ao lado da roda gigante.

    Fiquei muito surpreendido por ver o nicho de barbear à moda antiga a ser publicitado ao público geral, um nicho que foi a minha primeira verdadeira introdução ao mundo “clássico”.

    Comprei a minha primeira máquina da Edwin Jagger quando tinha 18 anos na Casa de Guimarães no Porto e foi uma excelente escolha.

    Máquina de barbear clássica Edwin Jagger DE89 Chrome Knurled DE Safety Razor (Closed Comb).
    Máquina de barbear clássica Edwin Jagger DE89 Chrome Knurled DE Safety Razor (Closed Comb)

    O que é uma máquina de barbear?

    Máquinas de barbear clássicas, também conhecidas como máquinas de corte, máquinas de barbear de duplo gume ou simplesmente “gilettes”, são aparelhos de aço com 2 ou 3 peças que se abrem ou desmontam para albergar uma lâmina. Usam-se para fazer a barba dos homens, mas também conseguem aparar o pelo corporal. Em Inglês são conhecidas como “double edge safety razors”.

    Máquina de barbear clássica Edwin Jagger DE89 Chrome Knurled DE Safety Razor (Closed Comb), desmontada em 3 peças.
    Máquina de barbear clássica Edwin Jagger DE89 Chrome Knurled DE Safety Razor (Closed Comb), desmontada

    A história da máquina de barbear clássica

    De acordo com a Wikipédia e com o site da Gilette, apesar de já terem havido algumas invenções de aparelhos de barbear com proteção contra cortes, tal como o aparelho de Jean-Jaques Perret em 1792, o seu uso não foi adoptado pela maioria da população. A maioria dos homens optava por uma navalha que tinham de afiar sempre que a usava, e que precisava de muita habilidade para ser usada.

    Deste modo, muitos homens iam ao barbeiro sempre que queriam fazer a barba. E havia sempre a possibilidade de, intencionalmente ou não, cortar a artéria jugular no pescoço do homem (tal como o Sweeney Todd gostava de fazer). Portanto, não é de espantar que a maioria dos homens escolhia ter uma barba.

    Navalha da marca Nippes, no site da Casa de Guimarães.
    Navalha da marca Nippes, do site da Casa de Guimarães
    Johnny Depp a protagonizar Sweeney Todd enquanto corta a garganta de uma vítima dele com uma Navalha em Londres.
    Johnny Depp a protagonizar “Sweeney Todd”

    A introdução das “gilettes”

    É aí que entra o Sr. King Camp Gilette. No início do século XX inventou a máquina de barbear e as lâminas de ferro descartáveis, tão finas que cientistas do M.I.T. acreditavam ser impossíveis de fabricar (pelo menos é o que o departamento de marketing da Gilette diz). Durante a 1ª Guerra Mundial, o exército Norte Americano distribuiu vários kits com as gilettes e respectivas lâminas aos soldados. Estas tornaram-se tão populares que os sobreviventes continuaram a usá-las depois do fim da grande guerra.

    Há quem diga que o propósito do fundador não era fazer lucro com as máquinas, mas com as lâminas descartáveis, uma vez que “fideliza” os consumidores aos produtos consumíveis.

    A evolução das gilettes

    A popularidade deste estilo de barbear foi crescendo ao longo do século. Mais tarde, as marcas começaram a mudar as suas prioridades para vender gilettes descartáveis de plástico, que se deitam ao lixo e se substituem facilmente e de forma acessível. Em 1971 é lançado o primeiro modelo destas gilettes com duas lâminas. Em 1998 aumentaram para três. Enfim, hoje em dia já se avistam gilettes com mais de 5 lâminas.

    Estes artigos da www.grownmanshave.com e da www.razorcompany.com investigam esta história mais a fundo.

    Gilette Fusion 5
    Gilette Fusion 5
    As 5 lâminas da Gilette Fusion 5.
    As 5 lâminas da Gilette Fusion 5

    As vantagens da máquina de barbear clássica

    As lâminas individuais cortam melhor e irritam menos a pele

    Ao contrário do que se pensa, ter mais lâminas não equivale a um melhor corte. Uma lâmina bem afiada vale mais do que dez lâminas rombas. Perguntem só a uma ribatejana.

    O facto de facilmente (e de forma económica) se poder trocar as lâminas com as máquinas de barbear clássicas significa que vamos sempre ter aço aguçado a deslizar pela nossa cara, em comparação com uma máquina com várias lâminas que se usam vezes e vezes sem conta. Para além disto, uma lâmina afiada irrita menos a pele, evitando aquelas manchas vermelhas que todos conhecemos.

    Homem com a pele da cara irritada por causa de irritação ao barbear.
    Copyright: Cleveland Clinic

    São melhores para o ambiente

    Uma máquina de barbear clássica, se fôr bem cuidada, pode durar várias vidas humanas. Enfim, é uma simples peça de aço inoxidável (provavelmente de aço 304 ou 316) com um acabamento. A única coisa descartável são as lâminas, feitas de aço muito fino, que são biodegradáveis (visto que aço acaba por se enferrujar). Em contraste, uma gilette de plástico deita-se ao lixo passado dois ou três meses e, como sabemos, o plástico demora muito mais a se decompor.

    São mais baratas (a médio prazo)

    Um pack com 8 recargas para a Gilette Fusion 5 custa 39,49€ no Continente, que significa que cada recarga custa 4,94€. Em comparação, um pack de 100 lâminas da Feather (uma marca premium) custa 34,34€ na Loja da Barba, que dá 0,34€ por lâmina. Se escolherem uma marca mais em conta como a Astra na Casa de Guimarães, o preço baixa para 0,10€ por lâmina. 

    Uma Gilette Fusion 5 com 2 recargas custa 13,99€. Assumindo o custo anterior por recarga, o corpo de plástico custa 4,11€. Em comparação, a máquina que eu comprei, a Edwin Jagger DE89KN, custa 37,50€. O meu amigo Vasco comprou recentemente uma máquina na Amazon por menos de 20€, por isso há opções mais baratas.

    O que queremos todos saber é: quantos meses demora até a máquina de barbear fazer “break-even” quanto à Fusion 5?

    Análise económica entre uma máquina de barbear clássica e uma gilette moderna

    Fiz duas análises*: uma análise mais favorável possível para a Fusion 5, e uma análise o mais favorável possível para a Edwin Jagger. Para o primeiro caso, assumi que se trocava as cabeças da Fusion 5 de dois em dois meses, e as lâminas da máquina de barbear clássica todos os dias. Neste caso, a máquina de barbear é sempre mais cara, independentemente do tipo de lâmina que escolhida, nunca se ” pagando a ela própria”. Isto era de esperar visto que o custo mensal por cada lâmina é superior ao das recargas.

    Para o segundo caso, assumi o caso mais favorável às máquinas: que se trocava as recargas a cada mês, e que se trocava de lâminas a cada duas utilizações. Neste caso, as lâminas da Feather continuam a ser menos rentáveis, mas as lâminas da Astra rapidamente compensam: a partir do décimo mês já começam a produzir poupanças, que se vão acumulando ao longo do tempo.

    No entanto, esta análise não tem em conta a variável do conforto: uma lâmina nova propociona um barbear muito melhor do que uma recarga que se usa 7 vezes sem trocar.

    *A fórmula que usei para calcular o número de meses necessários para a máquina de barbear nos começar a poupar dinheiro: custo inicial da Fusion + número de meses * custo mensal das recargas = custo inicial da Edwin Jagger + número de meses * custo mensal das lâminas). 

    Isto simplifica para: # meses = (CI_e-CI_f)/(CL_f-CL_e). Um valor negativo significa que a máquina de barbear nunca compensa face à alternativa.

    As desvantagens da máquina de barbear clássica

    São menos cómodas para se levar num avião

    Na minha viagem à Georgia (საქართველო  ლამაზია) em Abril de 2024, fiz o erro de levar uma caixa fechada de lâminas de barbear na minha bagagem de mão. Foram confiscadas, obviamente, por isso tive de andar por um belíssimo país com uma barba a brotar. A minha visita a Barcelona em Outubro correu melhor, mas vi-me forçado a comprar um pack de 10 lâminas da Feather por 7€, um preço extravagante visto que não as pude trazer de volta para Portugal. Em contraste, uma gilette de plástico leva-se facilmente na vossa bagagem de mão num avião.

    Segurança no aeroporto a verificar uma mala.

    Fazem mais cortes no rosto

    Uma máquina de barbear, pelo seu design, é mais propensa a fazer pequenos cortes do que uma gilette de plástico. Ela tem de ser segurada a um ângulo certo (30º normalmente), o que é mais difícil para um principiante. Corto-me mais com uma máquina de barbear clássica do que com uma gilette, porque faço duas passagens (uma na direção do pelo e outra perpendicular ao pelo). É um custo de oportunidade pequeno que não me importo de suportar.

    São menos precisas do que navalhas para alinha a barba

    Uma máquina de barbear é a ferramenta perfeita para ter a barba feita. No entanto, é mais difícil de alinhar a barba “na régua” (como se diz) do que uma navalha, porque é mais difícil de ver a linha da barba.

    Homem a fazer a barba com uma navalha.
    Alinhar a barba é mais fácil com uma navalha

    Conclusão: A máquina de barbear clássica é superior às Gilettes descartáveis

    Em conclusão, a máquina de barbear clássica é a melhor escolha para fazer a barba. Todos os cavalheiros devem experimentar ficar com uma cara de bebé pelo menos uma vez na vida. As vossas mulheres vão agradecer!

    Na próxima parte desta série sobre máquinas de barbear clássicas vamos aprender sobre como as usar, como cuidar delas e também sobre onde as comprar em Portugal.

  • Lenço de algodão: porquê usar?

    Lenço de algodão: porquê usar?

    De certeza que já viram um dos vossos avôs rodar o ombro para trás, esticar o braço e retirar do bolso de trás das calças um lenço de algodão branco para se assoar. No entanto, passei a minha vida toda sem ver o meu pai a fazer o mesmo.

    Nunca pensei muito nesta diferença geracional até um amigo meu, o Carlos, me ter reavivado a memória a fazer o mesmo, com um lenço bordado com as suas iniciais.

    Porque comecei a usar um lenço de algodão

    Sempre tive bastante necessidade de me assoar, mesmo durante o verão. A rinite crónica é tramada. Lembro-me de um breve período de tempo durante o secundário quando levava uma caixa de lenços de papel para a escola só para me assoar. Não me perguntem se o 10º D gozava comigo ou não. O meu nariz sofreu muito durante esse inverno, porque o papel esfolava a minha pele, que nem litros de Nivea foram capazes de salvar.

    Homem doente a assoar o nariz com um lenço de papel.
    Como eu estava

    Comprar um lenço de algodão na Ana Fred

    Depois de invejar o meu amigo durante alguns meses, decidi deixar o meu orgulho para trás e pedir-lhe para vir comigo comprar alguns lenços. Fomos à loja Ana Fred (não tem website próprio) da rotunda da Boavista no Porto (oficialmente Praça de Mouzinho de Albuquerque), onde nos mostraram uma colecção variada de lenços. Um lenço corriqueiro nesta loja custa entre 4 a 7€. Comprei dois tipos diferentes e, apesar de conseguir notar a diferença entre o meu lenço mais barato e o mais caro, o mais barato é mais do que o suficiente para o propósito.

    Montra da loja Ana Fred com pijamas e roupa interior.
    Montra da loja da Ana Fred

    Fiquei impressionado com quão práticos os lenços foram durante esses dias. Por causa do meu entusiasmo, a minha Avó Graça deu-me mais 5 dos lenços mais refinados no Natal do ano passado e, desde então, tenho-os usado todos os dias sem falta. No fim do dia, só preciso de os meter na máquina de lavar. Como tenho um para cada dia da semana, raramente me faltam lenços. Terem a minha inicial bordada manda aquela pinta (imaginária) extra.

    Vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de lenços

    Ao contrário do que estava à espera, lenços de algodão não são a pedra que mata dois coelhos de uma cajadada só.

    Realmente são mais bonitos, fáceis de usar, reutilizáveis, laváveis, e evitam esfolar o nariz, funcionam perfeitamente para limpar “o pingo” quando estamos saudáveis e para absorver o suor da testa durante o verão… No entanto, a não ser que queiram andar com três lenços diferentes convosco, são menos práticos quando estamos doentes. Houve vários dias em que tive de andar com um lenço húmido no bolso pois, tal como um campo de relva minhoto no inverno, o grau de saturação do tecido atingiu o limite máximo.

    Lenços de papel salvaram-me durante os momentos mais ranhosos, e complementaram bem o formato tradicional. Nem oito nem oitenta, não é? Para além disso, como tenho o hábito de guardar os lenços nos bolsos interiores dos meus casacos, esqueço-me muitas vezes de os tirar de lá e ficam desaparecidos durante algum tempo.

    Análise financeira comparando os lenços de papel com lenços de algodão

    Experiência pessoal à parte, será benéfico para a nossa carteira comprar lenços branquinhos?

    No Continente, um pack de 30 pacotes de lenços, cada uma com 10 lenços, custa 3,39€. Assumindo que usamos dois lenços por dia em média (porque raramente usamos lenços num dia normal e num dia em que estamos doentes usamos entre 2 a 4 pacotes por dia), o custo por dia em lenços é 0,022€. Em comparação, um lenço de algodão no El Corte Inglês custa 6,90€.

    De acordo com as minhas contas no excel (representadas na imagem em baixo), a partir do 314º dia de utilização diária, compensa comprar o lenço em algodão. E isto sem ter em conta de que há muitas opções mais baratas de lenços de algodão. Tendo os meus há quase um ano, posso confirmar que estão como novos e que ainda vão durar mais uma década se Deus quiser.

    Gráfico com a análise económica comparando os custos de usar lenços de papel ou lenços de algodão diariamente.

    Lenços de algodão são superiores a lenços de papel

    Em conclusão, estou muito contente com os meus lenços de algodão. Mesmo que não resolvam totalmente o problema nasal nos dias mais atribulados. Em seguida, vou comprar mais para ter sempre um ou dois à mão quando precisar. Vale a pena usufruir deste pequeno luxo diário, e um cavalheiro fará sempre bem ao andar com dois lenços, porque nunca sabemos quando vamos ter de emprestar um deles a uma senhora (desde que esteja limpo e impecavelmente passado a ferro, claro!).

    Importante: um lenço de algodão não é a mesma coisa que um lenço de bolso para a pestana do casaco, e não deve ser usado para a mesma finalidade. Especialmente se se assoarem ao lenço e voltarem a meter na pestana para os outros verem algo amarelado quando olham para o vosso peito.

  • O que é um fato?

    O que é um fato?

    Qual destas imagens representa um fato?

    Homem a usar um blazer azul marinho com uma gravata vermelha.
    Homem a usar um smoking com um laço preto

    A maioria das pessoas não sabe que a primeira imagem não é de um fato. Nem a segunda. Uma mostra um blazer (um tipo de casaco desportivo) combinado com calças de sarja, também conhecidos como chinos em Inglês. A outra mostra um smoking, ou tuxedo, usado em ambientes ainda mais formais durante a noite. Acertaram à primeira?

    Definição de um fato

    Um fato é um conjunto de roupa que consiste num casaco, calças e opcionalmente um colete, todos fabricados com a mesma fazenda. Muitas profissões usam um fato (por exemplo o “fato-macaco” para profissões manuais) mas esta palavra usa-se coloquialmente para nos referirmos a fatos clássicos, usados geralmente em ambientes de escritório.

    Homem a usar um fato azul marinho, uma gravata castanha às pintas, uma camisa branca e um lenço de bolso branco, da marca Hunstman.
    fato azul marinho da marca Inglêsa Huntsman, da colecção Spring-Summer 2025

    A generalização do fato como traje do dia-a-dia

    Este “código de vestir” tornou-se popular depois da 1ª Guerra Mundial, em todas as classes sociais. Tem mantido a sua posição na hierarquia de formalidade durante o último século, mesmo que a tendência de nos vestimos de forma cada vez mais casual tenha feito com que a maioria da população o veja como o cúmulo da formalidade. Até começou a ser usado em eventos formais, como casamentos, substituindo o fraque e a casaca – mesmo que, na minha opinião, sejam momentos especiais que exigem um traje especial.

    Como se deve usar um fato?

    Fatos devem ser usados com uma camisa, uma gravata, meias e sapatos. Os senhores com classe também complementam o traje com um lenço de bolso dentro da pestana, um pin de lapela ou um boutonnière, isto é, uma flor que se usa na casa da lapela.

    Porquê usar este traje?

    Esta é a peça de roupa mais elegante que se pode usar no dia-a-dia e nos contextos em que geralmente nos encontramos. Um fato cria contraste perto da cara e das mãos, enquanto limita o contraste nas outras partes do corpo, o que traz o olhar das pessoas para onde queremos. Também usa várias formas geométricas triangulares para “apontar” para a nossa cara, com o colarinho da camisa, a gola, as lapelas e a gravata.

    A minha missão é aprender o máximo que posso sobre roupa clássica masculina, para que possamos encher este nosso mundo de beleza. Vamos começar.