...

Etiqueta: casaco alfaiataria

  • Partes de um casaco de fato: guia completo de terminologia

    Partes de um casaco de fato: guia completo de terminologia

    Neste guia vais encontrar todas as partes do casaco de um fato explicadas com os respetivos nomes em Português e Inglês.

    Como sabem, comecei o Homem Clássico porque queria aprender os termos Portuguêses dos fatos, visto que na internet só havia conteúdo em Inglês (como a Gentleman’s Gazette ou o Permanent Style). Por isso, após um ano e meio a procurar, sinto-me confiante em juntar o que já aprendi num guia definitivo em Português para quem adora fatos.

    O casaco é a peça mais maravilhosa, e a que dá mais trabalho a fazer, dum fato.

    Em Portugal temos uma riqueza enorme de vocabulário e imensos regionalismos para este tema por isso este guia pode ser actualizado e melhorado ao longo do tempo. Também posso passar a incluir as traduções Castelhanas, Francêsas e Italianas.

    Fazenda ou tecido: material e tecelagem

    Tecidos amontoados numa alfaiataria.
    Tecidos e amostras de tecidos. Foto: Alfaiataria A. Gonçalves

    A fazenda é o material do fato. Para além disso, há quem também o chame de tecidofabric»).

    Materiais mais comuns para um casaco de fato:

    • Lã («wool)»: material mais comum em alfaiataria. É versátil, cai bem e não engelha tanto. Útil para a maioria das estações e climas dependendo da gramagem.
    • Algodão («cotton»): material mais relaxado para fatos, usado para casacos mais casuais.
    • Linho («linen»): material casual, muito fresco e perfeito para o verão que engelha muito (e é parte do seu charme).

    Para além do material que compõe o tecido, também o tipo de tecelagem muda os seus nomes.

    Por exemplo, tecidos de lã podem ser tecidos de várias formas:

    • Lã fria («worsted wool»): mais lisa e formal, com um ligeiro brilho. Deve ser usada para fatos e evitada em casacos desportivos.
    • Tweed: mais pesado e rústico, com um estilo académico e de professor.
    • Flanela («flannel»): mais macia e com textura, óptima para fatos de meia estação com uma gramagem maior para cair mais a direito.

    Gola:

    A gola («collar») é a parte do fato que toca no colarinho da camisa e aconchega o nosso pescoço.

    É cozida à lapela e é uma das últimas etapas na construção de um casaco.

    Os casacos artesanais («bespoke») unem a gola à lapela à mão através de costuras em «X», por isso se levantarmos a gola e as virmos estamos perante um casaco de qualidade.

    Para decorarem este termo, pensem no Steve Jobs e as camisolas de gola alta que ele gostava de usar.

    Lapelas do casaco: tipos e nomes

    Casacos com uma lapela com entalho («notch lapel») e em bico («peak lapel»). Foto: Alfaiataria A. Gonçalves

    As lapelas lapels») são a parte do casaco do fato que enquadra a camisa e forma um “V” na frente do peito.

    Em Portugal, também podem ser chamadas bandas ou virados, dependendo da região.

    Tipos de lapelas

    As lapelas distinguem-se principalmente pelo formato da sua parte superior:

    • Com entalho («notch lapel»): o estilo mais comum e versátil para fatos do dia a dia.
    • Em bico («peak lapel»): a lapela mais formal, obrigatória para fraques e casacas mas opcional para smokings.
    • Rebuço («shawl lapel»): uma opção para smokings, com uma linha suave.

    Entalhe e linha de praça

    Casaco sem gola. Foto: Alfaiataria Moderna

    O entalhelapel notch»), também conhecido como corte da lapela, é a parte que separa as lapelas da gola.

    A linha de praça («lapel gorge») é a costura que une a lapela à gola.

    • Linha de praça descida: tem um aspecto mais vintage e funciona bem em homens mais altos para equilibrar a altura.
    • Linha de praça subida: tem um aspecto mais moderno e funciona bem em homens mais baixos para dar a aparência de altura.

    Ombros

    Os ombros («shoulders») são a parte que assenta nos nossos ombros.

    A inclinação dos ombros também deve ser ajustada consoante o vosso tipo de corpo, pois podem-se formar vincos desnecessários caso não seja.

    Podem ter mais ou menos enchumaço ou ombreiras («shoulder padding») consoante o tipo de casaco e o vosso corpo.

    Tipos de ombros

    Em Portugal não existe uma terminologia uniformizada para os tipos de ombro, mas é possível identificar alguns estilos comuns em alfaiataria:

    • Clássico: ombro com alguma estrutura, muito utilizada em fatos Inglêses. A manga está à mesma altura que o ombro. Perfeito para um casaco de um fato para o dia-a-dia.
    • Pagoda: ombro com muito enchumaço e estrutura, onde a manga é ligeiramente mais alta que o ombro. É um estilo com autoridade e muito utilizado em França e está a voltar à moda.
    • Natural («spalla camicia»): ombro sem ombreiras, completamente natural, e a manga tem algumas pregas no topo. É o estilo mais casual e muito utilizado no Sul da Itália.

    Bolso de peito ou Pestana   

    A pestana ou bolso de peito («chest pocket») é o bolso que se situa no nosso peito, normalmente na mesma altura da cava.

    É a casa que tem como inquilino o lenço de bolso (não se deveriam chamar lenços de pestana?).

    Estilos de bolos de peito

    • Clássico: cortado em linha recta.
    • Curvo barchetta»): ligeiramente curvo.
    • Chapa patch pocket»): muito casual e pronunciado.

    Mangas

    As mangas («sleeves)» cobrem os nossos braços e têm carcelas («plackets») para os botões («buttons»). No entanto, «placket» costuma-se usar para designar a carcela da parte da frente da camisa e nunca ouvi ninguém a usar este termo para as mangas no mundo anglo-saxónico.

    As mangas, tal como o resto do fato, não devem formar vincos em nenhum lado e devem acabar 1-2cm acima do punho da camisa, para ele se conseguir ver.

    Um casaco de alfaiataria artesanal tem pelo menos duas casas dos botões cozidas à mão e funcionais. No entanto, na minha opinião, é um detalhe meramente estético e que eu não faço questão de ter.

    Cava

    A cavaarmhole») é o espaço onde a manga é unida ao corpo do casaco. Quanto mais alta for, sem apertar, mais mobilidade dá a quem a usa.

    Bolsos do casaco: tipos e nomes

    Fato da Crialme na primeira prova, com os alinhados à mostra
    Casaco com um bolso de bilhete. Foto: Crialme

    Os bolsos pockets») são elementos do casaco com função prática e estética. Embora permitam guardar pequenos objetos, o seu uso excessivo pode-nos deformar pelo que é geralmente desaconselhado.

    Podemos ter também um bolso do bilheteticket pocket») em cima dos dois bolsos normais.

    Tipos de bolso

    • Vivos («jetted pockets»): são os mais formais, por isso vistos em casacos trespasse e obrigatórios para smokings.
    • Portinhola («flap»): são bolsos de vivos com uma tira de tecido cozida por cima, por isso, podem ser convertidos no outro tipo se pusermos a portinhola dentro do bolso. O estilo mais comum para o dia-a-dia.
    • Chapa («patch»): bolsos mais casuais e usados em casaco desportivos.

    Rachas do fato: o que escolher para cada situação

    As aberturas/rachas «vents» estão situadas na parte de trás do fato, diretamente em cima do rabo.

    Têm como função melhorar o conforto quando nos sentamos e permitir que possamos usar os bolsos das calças.

    Tipos de rachas

    • Sem rachas («no vents»): comum nos fatos mais formais, como o trespasse, e obrigatórios num smoking
    • Uma racha («middle vent»): usadas em casacos casuais. Vêm da equitação, onde eram usados em combinação com casacos mais curtos para ser mais fácil cavalgar.
    • Duas rachas («double vents»): o mais confortável e ideal para fatos quotidianos.

    As camadas internas do casaco

    Entretelas e crina

    Ombro de um casaco de um fato cortado com as suas camadas interiores expostas, da
    Conseguimos ver as diferentes camadas do interior do casaco: o amaciador, as ombreiras e a crina. Foto: Alfaiataria Moderna

    As entretelascanvas») são as camadas internas do casaco. O número e o tipo dependem do estilo do casaco e da preferência do alfaiate.

    Podem ser feitas de lã, crina de cavalo, ou uma mistura dos dois.

    A maioria dos casacos têm uma entretela de lã que cobre a totalidade da frente.

    A crina é um tipo específico de entretela feita a partir de pelo de cavalo. Pode ser usada no corpo inteiro do casaco ou apenas em zonas específicas, como as lapelas, em combinação com a entretela de lã.

    Uma das características da crina é que, quando aplicada às lapelas através de técnicas de enchumaçamento, ajuda a criar o seu enrolamento natural («lapel roll»), um detalhe típico da alfaiataria artesanal.

    Amaciador

    O amaciador é uma camada interna que serve para separar as entretelas e a crina do forro, evitando que a textura mais áspera destas camadas entre em contacto direto com a pele.

    Forro

    Passando para dentro, o forro («lining») é o tecido em que tocamos.

    Normalmente é feito de um tecido diferente da fazenda, como viscose ou cetim de algodão, por ser mais suave e facilitar o ato de vestir.

    Como não é visível, o forro pode apresentar cores mais vivas ou padrões mais arrojados do que o exterior do casaco. Existem também casacos com pouco forro ou totalmente sem forro, conhecidos como casacos destruturados.

    Bolsos internos

    Os bolsos internos são comuns em muitos casacos e são úteis para o dia-a-dia.

    No entanto, quanto menos objetos se transportar no casaco, melhor será o seu caimento («drape»), evitando deformações na estrutura da fazenda.

    Conclusão

    Em conclusão, saber a terminologia das diferentes partes do casaco é importante para poderem comprar, ou mandar fazer, um fato. Agora vão conseguir comunicar tudo o que um alfaiate precisa de saber para fazer o vosso fato de sonho.

    Um abraço,

    Luís

Seraphinite AcceleratorOptimized by Seraphinite Accelerator
Turns on site high speed to be attractive for people and search engines.