Excelentíssimos homens clássicos, está a chegar a época dos casamentos e, com isso, a necessidade de nos vestirmos a rigor. No entanto é preciso que se saiba que não se deve usar cinto com colete com um traje que requeira uma cobertura da cintura.
Cinto a notar-se debaixo do colete. Fotografia: @ttfotografiavideo
A história dos trajes formais
Todos os trajes formais, como o fraque, o smoking ou a casaca, usam-se com uma peça a cobrir a nossa cintura: ou um colete, ou uma faixa. Tanto porque não havia tanta climatização e controlo de temperatura artificial antigamente quanto nos dias de hoje, quanto porque uma camisa era considerada roupa interior e nunca se deveria ver. É por isso que não devemos tirar o casaco do fato quando o escolhemos usar.
Luís Gagliardini Graça a usar um fraque à medida do Mestre Alfaiate Ayres, herdado do seu Avô. Notem as mangas compridas, a gola que não agarra o colarinho e o formato pouco cintado (corpo demasiado largo), sinal de que o fraque não foi feito para ele (e ainda não sofreu alterações). O colarinho da camisa também tem as pontas a dobrar e à mostra, algo não ideal. Fotografia: @ttfotografiavideo
Para além da tradição, tem uma função estética
Um cinto cria uma saliência na zona da cintura que empurra o colete para fora e estraga a silhueta. Também realça a barriga dos senhores que não precisam de a ter realçada. Finalmente, se as calças não tiverem uma cinta subida, a fivela vai se ver por baixo do colete e trazer alguma atenção indevida para essa zona. Isto não vai faz com que as pessoas olhem tanto para a nossa cara.
Se não posso usar um cinto com um colete, o que devo fazer?
A solução correcta é sempre usar ou suspensórios ou calças com fivelas laterais para manter a nossa figura elegante. Infelizmente, muitos produtores de calças escolhem fazê-las com passadores/presilhas o que confunde os cavalheiros que as compram. Para além disso é dificil retirar as presilhas porque uma costureira tem de as cortar. Isto deixa-nos com um dilema: tirar as presilhas ou não?
Eu escolheria não tirar as presilhas, porque na prática não se não ver, visto que o colete deve cobrir o cós das calças (onde o cinto se apoia).
Em conclusão, guardem os vossos cintos quando usarem trajes formais!
Neste guia vais encontrar todas as partes do casaco de um fato explicadas com os respetivos nomes em Português e Inglês.
Como sabem, comecei o Homem Clássico porque queria aprender os termos Portuguêses dos fatos, visto que na internet só havia conteúdo em Inglês (como a Gentleman’s Gazette ou o Permanent Style). Por isso, após um ano e meio a procurar, sinto-me confiante em juntar o que já aprendi num guia definitivo em Português para quem adora fatos.
O casaco é a peça mais maravilhosa, e a que dá mais trabalho a fazer, dum fato.
Em Portugal temos uma riqueza enorme de vocabulário e imensos regionalismos para este tema por isso este guia pode ser actualizado e melhorado ao longo do tempo. Também posso passar a incluir as traduções Castelhanas, Francêsas e Italianas.
Fazenda ou tecido: material e tecelagem
Tecidos e amostras de tecidos. Foto: Alfaiataria A. Gonçalves
A fazenda é o material do fato. Para além disso, há quem também o chame de tecido («fabric»).
Materiais mais comuns para um casaco de fato:
Lã («wool)»: material mais comum em alfaiataria. É versátil, cai bem e não engelha tanto. Útil para a maioria das estações e climas dependendo da gramagem.
Algodão («cotton»): material mais relaxado para fatos, usado para casacos mais casuais.
Linho («linen»): material casual, muito fresco e perfeito para o verão que engelha muito (e é parte do seu charme).
Para além do material que compõe o tecido, também o tipo de tecelagem muda os seus nomes.
Por exemplo, tecidos de lã podem ser tecidos de várias formas:
Lã fria («worsted wool»): mais lisa e formal, com um ligeiro brilho. Deve ser usada para fatos e evitada em casacos desportivos.
Tweed: mais pesado e rústico, com um estilo académico e de professor.
Flanela («flannel»): mais macia e com textura, óptima para fatos de meia estação com uma gramagem maior para cair mais a direito.
Gola:
A gola («collar») é a parte do fato que toca no colarinho da camisa e aconchega o nosso pescoço.
É cozida à lapela e é uma das últimas etapas na construção de um casaco.
Os casacos artesanais («bespoke») unem a gola à lapela à mão através de costuras em «X», por isso se levantarmos a gola e as virmos estamos perante um casaco de qualidade.
Para decorarem este termo, pensem no Steve Jobs e as camisolas de gola alta que ele gostava de usar.
Lapelas do casaco: tipos e nomes
Casacos com uma lapela com entalho («notch lapel») e em bico («peak lapel»). Foto: Alfaiataria A. Gonçalves
As lapelas («lapels») são a parte do casaco do fato que enquadra a camisa e forma um “V” na frente do peito.
Em Portugal, também podem ser chamadas bandas ou virados, dependendo da região.
Tipos de lapelas
As lapelas distinguem-se principalmente pelo formato da sua parte superior:
Com entalho («notch lapel»): o estilo mais comum e versátil para fatos do dia a dia.
Em bico («peak lapel»): a lapela mais formal, obrigatória para fraques e casacas mas opcional para smokings.
Rebuço («shawl lapel»): uma opção para smokings, com uma linha suave.
Entalhe e linha de praça
Casaco sem gola. Foto: Alfaiataria Moderna
O entalhe («lapel notch»), também conhecido como corte da lapela, é a parte que separa as lapelas da gola.
A linha de praça («lapel gorge») é a costura que une a lapela à gola.
Linha de praça descida: tem um aspecto mais vintage e funciona bem em homens mais altos para equilibrar a altura.
Linha de praça subida: tem um aspecto mais moderno e funciona bem em homens mais baixos para dar a aparência de altura.
Ombros
Os ombros («shoulders») são a parte que assenta nos nossos ombros.
A inclinação dos ombros também deve ser ajustada consoante o vosso tipo de corpo, pois podem-se formar vincos desnecessários caso não seja.
Podem ter mais ou menos enchumaço ou ombreiras(«shoulder padding») consoante o tipo de casaco e o vosso corpo.
Tipos de ombros
Em Portugal não existe uma terminologia uniformizada para os tipos de ombro, mas é possível identificar alguns estilos comuns em alfaiataria:
Clássico: ombro com alguma estrutura, muito utilizada em fatos Inglêses. A manga está à mesma altura que o ombro. Perfeito para um casaco de um fato para o dia-a-dia.
Pagoda: ombro com muito enchumaço e estrutura, onde a manga é ligeiramente mais alta que o ombro. É um estilo com autoridade e muito utilizado em França e está a voltar à moda.
Natural («spalla camicia»): ombro sem ombreiras, completamente natural, e a manga tem algumas pregas no topo. É o estilo mais casual e muito utilizado no Sul da Itália.
Bolso de peito ou Pestana
A pestana ou bolso de peito («chest pocket») é o bolso que se situa no nosso peito, normalmente na mesma altura da cava.
É a casa que tem como inquilino o lenço de bolso (não se deveriam chamar lenços de pestana?).
Estilos de bolos de peito
Clássico: cortado em linha recta.
Curvo(«barchetta»): ligeiramente curvo.
Chapa(«patch pocket»): muito casual e pronunciado.
Mangas
As mangas(«sleeves)» cobrem os nossos braços e têm carcelas(«plackets») para os botões(«buttons»). No entanto, «placket» costuma-se usar para designar a carcela da parte da frente da camisa e nunca ouvi ninguém a usar este termo para as mangas no mundo anglo-saxónico.
As mangas, tal como o resto do fato, não devem formar vincos em nenhum lado e devem acabar 1-2cm acima do punho da camisa, para ele se conseguir ver.
Um casaco de alfaiataria artesanal tem pelo menos duas casas dos botões cozidas à mão e funcionais. No entanto, na minha opinião, é um detalhe meramente estético e que eu não faço questão de ter.
Cava
A cava («armhole») é o espaço onde a manga é unida ao corpo do casaco. Quanto mais alta for, sem apertar, mais mobilidade dá a quem a usa.
Os bolsos («pockets») são elementos do casaco com função prática e estética. Embora permitam guardar pequenos objetos, o seu uso excessivo pode-nos deformar pelo que é geralmente desaconselhado.
Podemos ter também um bolso do bilhete («ticket pocket») em cima dos dois bolsos normais.
Tipos de bolso
Vivos («jetted pockets»): são os mais formais, por isso vistos em casacos trespasse e obrigatórios para smokings.
Portinhola («flap»): são bolsos de vivos com uma tira de tecido cozida por cima, por isso, podem ser convertidos no outro tipo se pusermos a portinhola dentro do bolso. O estilo mais comum para o dia-a-dia.
Chapa («patch»): bolsos mais casuais e usados em casaco desportivos.
Rachas do fato: o que escolher para cada situação
As aberturas/rachas «vents» estão situadas na parte de trás do fato, diretamente em cima do rabo.
Têm como função melhorar o conforto quando nos sentamos e permitir que possamos usar os bolsos das calças.
Tipos de rachas
Sem rachas («no vents»): comum nos fatos mais formais, como o trespasse, e obrigatórios num smoking
Uma racha («middle vent»): usadas em casacos casuais. Vêm da equitação, onde eram usados em combinação com casacos mais curtos para ser mais fácil cavalgar.
Duas rachas («double vents»): o mais confortável e ideal para fatos quotidianos.
As camadas internas do casaco
Entretelas e crina
Conseguimos ver as diferentes camadas do interior do casaco: o amaciador, as ombreiras e a crina. Foto: Alfaiataria Moderna
As entretelas («canvas») são as camadas internas do casaco. O número e o tipo dependem do estilo do casaco e da preferência do alfaiate.
Podem ser feitas de lã, crina de cavalo, ou uma mistura dos dois.
A maioria dos casacos têm uma entretela de lã que cobre a totalidade da frente.
A crina é um tipo específico de entretela feita a partir de pelo de cavalo. Pode ser usada no corpo inteiro do casaco ou apenas em zonas específicas, como as lapelas, em combinação com a entretela de lã.
Uma das características da crina é que, quando aplicada às lapelas através de técnicas de enchumaçamento, ajuda a criar o seu enrolamento natural («lapel roll»), um detalhe típico da alfaiataria artesanal.
Amaciador
O amaciador é uma camada interna que serve para separar as entretelas e a crina do forro, evitando que a textura mais áspera destas camadas entre em contacto direto com a pele.
Forro
Passando para dentro, o forro(«lining») é o tecido em que tocamos.
Normalmente é feito de um tecido diferente da fazenda, como viscose ou cetim de algodão, por ser mais suave e facilitar o ato de vestir.
Como não é visível, o forro pode apresentar cores mais vivas ou padrões mais arrojados do que o exterior do casaco. Existem também casacos com pouco forro ou totalmente sem forro, conhecidos como casacos destruturados.
Bolsos internos
Os bolsos internos são comuns em muitos casacos e são úteis para o dia-a-dia.
No entanto, quanto menos objetos se transportar no casaco, melhor será o seu caimento («drape»), evitando deformações na estrutura da fazenda.
Conclusão
Em conclusão, saber a terminologia das diferentes partes do casaco é importante para poderem comprar, ou mandar fazer, um fato. Agora vão conseguir comunicar tudo o que um alfaiate precisa de saber para fazer o vosso fato de sonho.
Não tenho sombra de dúdiva que já se depararam com esta imagem do traje típico dos senhores em Portugal durante o fim-de-semana. Hoje vamos falar sobre as causas das joelheiras das calças e como evitar este fenómeno.
Calças de sarja com joelheiras. A bainha tem 18cm.
O que são joelheiras
As joelheiras são uma deformação no tecido das calças na zona dos joelhos que fazem com que as calças fiquem com um alto e não caiam a direito. Esta deformação afeta toda a estética das calças e, honestamente, é bastante feia.
Como calças de alfaiataria devem assentar e cair
Como todos sabemos, as calças de alfaiataria devem cair a direito tanto atrás, onde a linha deve ser ininterrupta, quanto à frente, onde se aceita um vinco horizontal chamado “quebra” perto dos sapatos. Isto queria linhas verticais ininterruptas que favorecem o nosso corpo e nos fazem parecer mais altos. Para além disso, demonstra que as calças nos assentam bem e que foram feitas para nós.
Apesar de ter alguns vincos atrás (porque são calças pronto a vestir), não têm joelheiras. Bainha de 22cm.
As causas das joelheiras das calças
Há várias causas para um par de calças formar joelheiras:
Em primeiro lugar, se a composição do tecido tiver algum elastano, cujo propósito é esticar, então dificilmente o tecido vai voltar à sua posição inicial depois de dobrarmos as nossas pernas. Com o tempo, o elastano perde a força e acaba por ficar na posição esticada. Outros tecidos como o algodão, que é o material principal nas calças de sarja beges que a maioria dos homens usa, também tem esta tendência mas em menor escala. Lã não estica tantos e tem mais “mola”, por isso volta ao sítio.
Em segundo lugar, a tecelagem. Se os tecidos forem elásticos, se só esticarem na trama (fios horizontais), então nunca vão voltar ao sítio. Se esticarem na teia (fios verticais) e na trama, ajuda a mitigar isto. Este é um bom vídeo para aprenderem mais.
Em terceiro lugar, a largura das calças. Calças mais estreitas têm de esticar mais quando dobramos as pernas, enquanto calças mais largas não precisam. Logo, calças mais largas tendem a não formar tanto uma “joelheira”.
Não é por calças não formarem joelheiras que nos assentam bem. Estas calças de lã formam muitos vincos tanto à frente e atrás e, por isso, não me ficam bem. Bainha de 18cm.
Como resolver o problema das joelheiras das calças
Felizmente, é fácil resolver este problema. Não podemos alterar calças que já temos mas, em compras do futuro, devemos ter atenção e tentar comprar tecidos 100% naturais que não tenham propensão a esticar, como a lã, o linho e em menor proporção, o algodão. Também devemos evitar calças extremamente estreitas (o que se tornou mais fácil nos últimos anos em que calças mais largas voltaram a lojas comuns). Também há uma abundância de opções em segunda-mão na Vinted e em lojas locais para escolhermos.
Em conclusão, as joelheiras são uma praga na sociedade que podemos erradicar com um bocadinho de esforço.
Caros amantes da vida clássica, existem sapatarias, e depois existem Sapatarias. A Norman Vilalta é uma Sapataria que não se pode perder.
Arranjei coragem para lá entrar
Tive a oportunidade de visitar a loja quando passei uma semana com uns amigos em Barcelona em Julho. Na minha primeira visita à cidade, no Outubro passado, dei uma vista de olhos à loja da Carmina e passei pela loja da Bexley, mas foi a Norman Vilalta que me atraiu mais. Por isso, quando voltei no verão, quase que obriguei os meus amigos a virem comigo para viverem o que é uma sapataria que está noutro patamar que o normal.
Deve ter sido um espanto quando 3 rapazes e 3 raparigas novas entraram dentro da loja num dia de semana normal. Carregava comigo uma câmera fotográfica que esteve o tempo todo a fazer click. Um dos funcionários deve ter percebido que alguma coisa se passava, porque veio logo da oficina, no fundo do espaço, para a entrada do open-space.
Fiquei perplexo quando se apresentou como o próprio Sr. Vilalta. Nesta altura ainda não tinha começado a minha página de Instagram, por isso eu literalmente um desconhecido com uma máquina nas mãos. Mesmo assim, o Sr. Vilalta foi simpatiquíssimo comigo e deixou-me fazer todas as perguntas que quis e tirar todas as fotografias, mesmo sabendo que não conseguiria comprar um dos pares de sapatos dele. Esta é a marca de um verdadeiro cavalheiro: deu do seu tempo e sabedora a quem não tinha nada para oferecer excepto um blog em Português e um ouvido atento. Mesmo assim continuámos, no seu Inglês perfeito.
História do Norman Vilalta
O Sr. Vilalta começou como muitos de nós: interessado e empenhado no seu emprego como advogado, mas sentia falta daquele fogo, daquela paixão, daquela satisfação de criar algo tangível para servir outros. Por causa disto, aos 31 anos decidiu sair da Argentina e estudar a arte da sapataria em Florença, Itália. Foi aprendiz de vários sapateiros famosos como o Sr. Stefano Bemer e a Srª. Dª. Saskia Wittmer, onde desenvolveu o seu próprio estilo. Dois anos depois abriu a sua própria oficina em Barcelona onde permanece até aos dias de hoje, fazendo sapatos artesanais e também vendendo a sua linha pronto-a-vestir, sempre com os materiais e detalhes mais refinados.
Sapatos palmilhados, também conhecidos como «goodyear welted»
O estilo característico “da casa” da Norman Vilalta
O seu estilo é muito característico, com biqueiras quadradas e muito bem esculpidas (apesar de também ter vários sapatos com biqueiras redondas). As proporções estão sempre impecáveis, tendo-me dito que usa imenso o rácio de ouro quando desenha as suas esculturas.
Mostrou-me o Eduardo Especial: um sapato “derby” feita de uma peça só de cabedal que só tinha uma única costura na gáspea (o corte de cabedal superior, apelidado «upper» em Inglês), no interior do calcanhar. Impressionante! Também desenvolveu um sistema de corte que garante que o contraforte, a parte do sapato que segura o nosso calcanhar, não tenha costura, que ele apelida “padrão assimétrico”, que se pode ver nestes sapatos.
É de notar que este cabedal não é envernizado: o seu brilho vem do engraxamento impecávelA “cinta” da sola destes sapatos foi esculpida para ter este aspecto de garrafa de vinho
Visitar a oficina
Depois de ter visto as suas autênticas esculturas, tive a honra de poder visitar a oficina. É lá que os sapatos são todos acabados: quer a linha pronto-a-vestir Condal, quer a linha de moldes já feitos mas totalmente feita à mão 1202 Heritage Collection quer os sapatos artesanais com moldes esculpidos para cada cliente.
Sendo sincero, estão um bocado fora do meu alcance financeiro neste preciso momento, mas quem sabe o que o tempo trará. Temos de nos fazer à vida e fazer a vida acontecer.
Notem a palmilha de acabamento acolchoada. À direita, escondida pelo pano, está uma forma feita à medida para o sapatoMesa de corteMáquina de inserir ilhéusMesa de acabamento das solasMesa de engraxamento e acabamentoA arte da sapataria requer muitas marteladas
Finalmente, acabámos a minha visita com uma fotografia inesperada na frente da loja, publicada na conta oficial da loja.
Saí da loja a sentir-me incrível, não só por causa dos produtos maravilhosos mas principalmente pela hospitalidade do Sr. Vilalta. E esta energia vigorosa e simpática foi sentida pelos meus amigos também e falámos sobre isto enquanto comíamos uma das melhores bolas de gelado do mundo na DeLaCrem, ao virar da esquina. Por isso, aconselho vivamente que visitem a loja e se deixem levar pela sua beleza.
Na Quinta-feira dia 11 de Setembro, o meu amigo Fred e eu visitámos o Museu do Calçado em S. João da Madeira. Lá aprendemos os passos da construção de um par de sapatos, a história do calçado e algumas visões para o futuro desta indústria em Portugal.
Neste artigo, qualquer palavra que esteja entre «» é a tradução Inglêsa das palavras em Português.
O Museu do Calçado situa-se no antigo edifício da fábrica da Oliva, uma marca portuguesa extremamente predominante no pós Segunda Guerra Mundial, conhecida pelas suas máquinas de costura. Noutro piso há o Núcleo Histórico da Oliva, que conta a história desta marca icónica.
Já queria lá ir há muito tempo para aprender os termos do calçado em Português. Existe imensa literatura, vídeos e blogs em Inglês que divulgam este conhecimento nessa língua, mas em Português é algo raro. Temos a tendência de adoptar estrangeirismos quando temos termos perfeitamente utilizáveis, que é algo que pessoalmente desgosto, por isso vim cá ganhar este conhecimento. Felizmente, consegui e vou partilhar convosco em artigos futuros.
Quando chegámos ao museu fomos acolhidos pela Srª. Drª. Raquel que muito simpaticamente se ofereceu para nos dar uma visita guiada. Quando o Fred e eu referimos que estávamos lá em nome do blog “Homem Clássico”, sugeriu chamar a responsável pelo museu no momento, a Srª. Drª. Sara Paiva, que nos levou por uma visita guiada fascinante.
Na sala inicial está montada uma exposição experimental representando designs com materiais e padrões tradicionais, como tapete e mantas.
O Processo de Fabrico de um Sapato (resumido)
Na sala seguinte, vemos uma representação de um sapateiro tradicional a fazer sapatos à mão «bespoke», algo raro em Portugal. A Srª. Drª. Sara disse-nos que não está fácil encontrar quem continue esta arte no nosso país e que não conhecia ninguém que o fizesse ainda.
Em seguida, a sala abre-se num pavilhão onde se aprende o processo de fabrico de um par de sapatos.
Um sapato tem 5 passos de fabrico depois de se ter a forma/molde «last» pronto:
Modelagem «modelling/design»
Corte «clicking»
Costura «closing/sewing»
Montagem «lasting»
Acabamento «finishing»
Muito resumidamente, primeiro escolpe-se uma forma em madeira ou em plástico na semelhança de um sapato. Em seguida, modela-se o padrão que o cabedal terá no final, em papel ou fita de pintor, desenhando as linhas de costura do sapato.
Pantógrafo, utilizado para transferir e redimensionar figuras
Depois corta-se o cabedal na forma destes padrões, com a ajuda de uma prensa.
Prensa de calçado
Cozem-se os pedaços de cabedal que serão depois esticados por cima da forma para dar formato à gáspea «upper».
Gaspeadeira da marca SingerMáquinas da montagem
Depois, junta-se a sola «outsole» à gáspea e à palmilha de montagem «insole» através de um dos sistemas de montagem (pode ser colado, Blake, Goodyear ou qualquer outro). O tacão «heel» depois é montado. Finalmente, dão-se os toques finais: lixam-se os perfis da sola, engraxam-se os sapatos, fazem-se as marcações a laser na sola, entre outras.
Máquina de acabamento
A Srª. Drª. informou-nos que as gaspeadeiras à mostra no passo da costura são da Singer e não da Oliva, porque a Oliva fabricava máquinas de costura para tecidos e fazendas, não para couro.
Viagem pela História no Museu do Calçado
Para além das primeiras duas salas, há uma terceira exposição montada em 3 corredores que apresenta a evolução do calçado: de sandálias simples, a sapatos medievais onde se cozia a sola à gáspea por fora e depois virava-se os sapatos do avesso, até ao período moderno com as construções que todos conhecemos. Foi aqui que a Srª. Drª. Sara Paiva brilhou com o seu conhecimento.
Contou-nos que as sandálias em ouro sólido encontradas no túmulo do rei Tutankamon tinham gravadas imagens dos seus inimigos, sinalizando que o rei os “espezinhava” sempre que dava um passo.
Contou-nos que os romanos consideravam que tapar os dedos dos pés era sinal de barbárie, porque era o que os povos do Norte faziam.
Na época medieval, ensinou que a palavra sabotagem tem origem numa revolta em França onde os camponeses pegaram nas suas solas de madeira, apelidadas de “sabots”, e atiraram-nas ao seu senhor.
Na Renascença, mostrou-nos sapatos de plataforma de cortiça para as cortesãs Venezianas, que são surpreendentemente fáceis de andar, que mas os pés cansam menos se estiverem pousados em madeira quando se está parado.
Durante o absolutismo, mostrou-nos como os tacões vermelhos dos sapatos dos nobres próximos do rei Rei Luís XIV simboliza a todos em Paris a sua alta posição na corte.
Réplica de um sapato feminino da corte de Luís XIV
A sala das celebridades
Na penúltima sala conseguimos ver expostos sapatos de vários designers, marcas, celebridades e políticos famosos, como o António Guterres, a Catarina Furtado e um dos membros dos Black Mamba.
Final da visita ao Museu do Calçado
No final, tirámos uma fotografia que foi publicada no Instagram do Museu do Calçado e acabei por comprar o livro do museu, para referência futura.
O museu também tem um website com uma visita virtual interactiva que se pode fazer online e que está bastante completa, nada se compara à visita do local.
Um grande agradecimento a todos do Museu que nos deixaram gravar e tirar todas as fotografias que quisermos. Aconselho todos a irem lá, a seguir o Museu do Calçado no Instagram e a ver o vídeo que publiquei no Instagram.
Estive na cidade do sol durante um fim-de-semana de Abril e tive de ir à Chapelaria Azevedo Rua, em Lisboa, ver a sua magnífica coleção de chapéus.
Para quê usar óculos de sol, quando podemos usar chapéus?
Esta visita foi suscitada pela chegada da melhor estação do ano, a Primavera. Com ela, veio o sol abrasador Olisipense. Não sei quanto aos leitores, mas óculos de sol sempre me pareceram uma solução incompleta para o problema de ter o sol nos olhos: para quê tentar limitar a força do sol com óculos, quando podemos bloquear o sol de chegar aos nossos olhos com um chapéu?
História da Chapelaria Azevedo Rua
A Chapelaria Azevedo Rua (website aqui) foi fundada em 1886 por Aquino Azevedo Rua. Desde então, tem sido uma referência na previamente intitulada “Praça dos Chapeleiros” (na Praça de D. Pedro IV, que hoje chamamos “Rossio”). É agora gerida pelo Sr. Dr. Pedro Fonseca, da 5ª geração da família. É composta por duas lojas, separadas por outra loja distinta, o que é bastante peculiar. Ambas as lojas são lindíssimas, com os tetos brancos com padrões engessados, paredes cobertas por armários de madeira e chãos em “tijolo” de telha. As montras e os toldos brancos também são muito elegantes.
Entrada da loja principalDiploma ganho pela lojaSr. Aquino Azevedo Rua, fundador da chapelaria
Quando lá cheguei, deparei-me com uma situação caricata: a senhora que estava encarregue da loja estava a falar com um cliente que tinha bebido uma ginjinha a mais n’”A Ginjinha” (e que ainda queria beber mais umas quantas). A forma como a senhora lidou com a situação foi de mestre. Escutou durante uns minutos paciêntes e depois muito calmamente informou:
– Peço desculpa, mas tenho de ir lá dentro ao armazém…
Tive o prazer de conhecer a Srª. Dª. Margarida uns minutos depois, quando a costa ficou livre, que me atendeu graciosamente e respondeu a todas as minhas questões. Não é fácil estar a atender clientes o dia inteiro e depois deparar-se com um homem com uma câmera fotográfica, dizendo que tem um blog e que gostaria saber mais sobre a loja e aprender mais sobre os produtos, mas a experiência da minha anfitriã brilhou.
A terminologia de um chapéu
Começámos pelos termos dos chapéus. O chapéu é composto pela copa, a parte mais alta do chapéu, pela aba, a parte que se estende horizontalmente da copa e que protege os nossos olhos do sol, pela carneira, a fita na parte interior que toca na nossa cabeça e pela fita, a parte decorativa do chapéu que está à volta da copa.
Chapéus de senhora na montra
A copa não determina o nome de um chapéu em Português
Em seguida, aprendi que em Portugal, ao contrário da Inglaterra, não se costuma dar nomes diferentes aos chapéus dependendo dos estilos de copas. Enquanto que em Inglaterra podemos encontrar chapéus com nomes como “Fedora” ou “Hamburg”, em Portugal cada estilo designa-se pelo tamanho da aba e pelo material. Há excepções, como os “Panamá”. Faz sentido fazer-se desta forma, porque um chapéu de pêlo de coelho de aba larga pode ter a copa formada em dezenas de formatos de diferentes, e ao mesmo tempo chapéus de materiais e abas diferentes podem ter o mesmo formato de copa.
O que vende a chapelaria?
Em primeiro lugar, a loja vende todo o tipo de chapéus. O primeiro modelo que vi foi o “Fernando Pessoa”, o modelo usado pelo poeta, que era um cliente habitual da casa. É parecido com um fedora com uma aba rija, de pelo preto. Achei bastante bonito, mas não adoro preto, por isso gostei mais das outras cores. Depois, vimos os outros chapéus de pêlo, a maioria de coelho e os mais requintados de castor. Para cuidar destes chapéus deve-se escovar regularmente e lavar a seco numa lavandaria caso se sujem.
Chapéu preto do modelo “Fernando Pessoa”
A gigante colecção de Panamás
Em segundo lugar, vimos a vasta colecção de Panamás, que a Srª. Dª. Margarida garantiu que iria aumentar em breve para satisfazer a enorme procura no verão. Estes chapéus de palha (de juco de jipijapa, mais precisamente) são entrelaçados no país do Equador, e muitas vezes exportados para países Europeus e acabados cá (que consiste em formar a copa, dobrar a borda da aba, inserir a carneira e cozer a fita). Geralmente, quanto mais fina e branca a palha, mas caro é o chapéu. Este artigo explica melhor o processo de produção. Para os limpar, deve-se usar um pano com água e um bocadinho de sabonete.
Boné ou Boína?
Finalmente, vimos os bonés, aos quais eu chamei “boína”, que é a palavra que muita gente do Norte e do Alentejo usa, explicou-me a minha anfitriã. Vimos o estilo clássico (flat cap em Inglês) e o estilo oitavado (newsboy em Inglês), que tem este nome porque a copa divide-se em 8 secções diferentes. É importante levá-los a uma lavandaria para os lavar.
Boína, ou boné, oitavado
Outros produtos da loja
Para além disto, a Chapelaria também vende guarda-chuvas (chamados chapéus de chuva em Lisboa, o que faz todo o sentido considerando o nome da loja) e bengalas, o que é uma estratégia de génio: durante o verão há mais procura por chapéus para usar na cabeça, e durante o inverno há mais procura por chapéus de chuva. Desta forma a gestão financeira é mais eficiente e o fundo de maneio mantém-se com uma almofada confortável.
Guarda-chuvas à vendaBengalas à venda
Como se mede a cabeça para caber num chapéu?
Tive problemas com as medidas de chapéus no passado, por isso perguntei o seguinte:
Luís — Ok, e como é que se mede o chapéu? É largura e altura da copa?
Margarida — Sim, isso aí. Se eu puser uma fita métrica à volta da cabeça, vai dar o perímetro.
Luís — Como é que o chapéu deve estar na nossa cabeça?
Margarida — Deve estar na linha da sobrancelha. Há clientes que gostam de dar um toque especial e inclinam, mas o chapéu é usado a direito, na linha da sobrancelha.
Luís — Deve estar um bocadinho apertado para não voar com o vento?
Margarida — Exactamente, tem que ficar justo, sem ficar a magoar, porque senão, com qualquer ventinho, ou fica incómodo andar sempre a segurar no chapéu.
Luís — Então dá para apertar chapéus, mas não dá para alargar chapéus?
Margarida — Dá para alargar, também temos uma forma de alargar chapéus.
Um erro comum é comprar chapéus demasiado largos, por isso a Srª. Dª. Margarida recomenda a todos os clientes que venham à loja experimentar o modelo que se quer, com a ajuda de um dos funcionários.
Como pegar num chapéu
Um chapéu deve-se pegar sempre pelo perímetro da copa. Ocasionalmente podemos pegar pela aba (mas evitar pegar sempre pelo mesmo sítio senão a aba vai-se deformar). Nunca peguem pelo vinco da copa porque é o sítio mais provável de se partir, especialmente nos Panamá. Isto aconteceu-me pessoalmente.
Reparações e personalizações
Como parti a palha do vinco do meu Panamá no verão passado, perguntei se faziam reparações a chapéus e eles disseram que sim. Para além de reparações e de alargar ou apertar os chapéus, a Chapelaria também corta as bengalas à medida, troca a fita e substitui a carneira. Não fazem reparações de guarda-chuvas. Não me disseram quais os preços dos serviços, porque depende muito do que fôr preciso, mas os leitores podem sempre ligar.
Inclusive, tive o privilégio de visitar a loja mais pequena na esquina da rua, que estava fechada e foi aberta especialmente para mim. Lá encontramos muitos chapéus iguais aos da loja maior, e também uns “baseball hats” simples e bonitos.
Entrada da segunda lojaMontra lateral da segunda lojaChapéus no interior da segunda lojaBonés casuais na segunda loja
Chapelaria Azevedo Rua: uma referência para chapéus clássicos em Lisboa
Em conclusão, gostei imenso de visitar a Chapelaria Azevedo Rua: o espaço é lindo, os funcionários são simpáticos e sabem do que estão a falar (o que é muito raro) e há um chapéu para qualquer gosto (e qualquer orçamento). Neste momento, o website não faz jus à loja por isso recomendo irem lá em pessoa. Já sei onde ir se estiver em Lisboa e precisar de um chapéu!
Tive a grande honra de ter sido convidado para o XXXIV Encontro Nacional de Mestres Alfaiates no Domingo, 25 de Maio de 2025, na Póvoa de Lanhoso. Neste artigo apresento os mestres alfaiates de Portugal, velha guarda e nova geração, e reporto sobre o dia.
O que é o encontro nacional de mestres alfaiates?
Este encontro reune os mestres alfaiates Portuguêses todos os anos, a fim de celebrar a arte e juntar todos. Discutem-se as novas tendências, as notícias correntes, fazem-se amizades e novos contactos.
Recepção oficial na Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso
O dia começou às 09:00 com uma recepção calorosa pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso na câmara municipal. Todos os alfaiates e as suas famílias estavam vestidos com o maior rigor.
Em seguida, durante a pausa para café, cumprimentei o meu caro amigo Sr. Néu da Alfaiataria Moderna de Ponte da Barca, um dos fundadores deste encontro, que foi quem me estendeu o convite.
Primeiros encontros e mestres presentes
Logo depois, fui apresentado a vários alfaiates durante o lanche que se seguiu, tais como
Sr. Fernando Saraiva Andrade de Dornelas na Guarda
Sr. António Pinto de Penalva do Castelo
Sr. António Luís de Mangualde
Sr. Eduardo Saraiva Fernandes de Vila Cova à Coelheira em Viseu
Sr. Carlos Ferreira e seu pai, da AC Alfaiates em Viseu
Sr. Fernando Metelo de Lisboa
Sr. Manuel Brito que trabalha em Almada.
Antes de sairmos da Câmara, recebemos um kit com vários panfletos e um íman da Póvoa de Lanhoso.
Fotografia dos participantes na Câmara Municipal de Lanhoso
Durante a viagem conheci o Sr. Gil “Raro” Pinho, um alfaiate da minha geração que trabalha com o Sr. Ayres Gonçalo no Porto. É um “historiador” da alfaiataria Portuguesa, tendo uma enorme colecção de livros de corte e por isso um conhecimento íntegro do método de corte das peças. Vou aprender imenso com ele.
Sr. Gil “Raro” Pinho
Às 10:30 começou a visita ao museu, onde aprendi como se faz as peças de joalharia em filigrana (o que foi surpreendentemente interessante).
Posteriormente, conversei com o Sr. João Pereira, dono dum armazém de tecidos e fazendas na Batalha no Porto. Aprendi muito sobre a história da alfaiataria portuense: sabiam que existe uma capela dos alfaiates na rua de Santa Catarina?
Além disso, conheci também o Sr. Vítor Gonçalves, escritor do 1º blog de fatos em Portugal, o “Blog dos Alfaiates”. Também tive uma curta conversa com o Sr. João Borges da Soares Costura em Felgueiras. Fiquei a conhecer também a Srª. Dª. Carla Godinho da Lanifícios Godinho, da Guarda, através da sua filha.
Missa no mosteiro de Porto d’Ave
De volta ao autocarro, fomos transportados para o mosteiro de Porto d’Ave para a missa.
Os santos padroeiros da alfaiataria
Durante a missa, o Sr. Diácono falou sobre os santos padroeiros da alfaiataria: S. Geraldo e o Santo Homobono de Cremona. Além disso, homenageou os alfaiates do passado que já não puderam estar com os seus amigos neste encontro.
Tendo acabado, conheci o Sr. Américo Amorim, um alfaiate de Ponte de Lima que já não está no activo no momento mas que me convidou para passar pela sua oficina um dia destes.
Almoço e networking com a nova geração
Durante o almoço conheci a Srª. Dª. Marta Dias Sargento, alfaiate da Vida Sargento Bespoke, em Leiria, que estudou na Escola Superior de Alfaiataria em Madrid. Só precisou de um olhar para perceber que o meu fato era pronto-a-vestir. Explicou-me que um fato feito à medida artesanalmente costuma ter casas dos botões cozidas à mão e a lapela tem curva de uma forma diferente, quase como se fosse uma asa.
Srª. Dª. Marta Sargento
Fiquei muito contente por falar com a Jéssica, a Verónica, o Fábio e a Anabela da VOIL Gallery, outra alfaiataria artesanal, ou bespoke, em Leiria. Começaram em 2022 com um estilo mais Inglês e tiveram a ajuda do Sr. Jorge Cardoso para começar a modelar os fatos. O Sr. Cardoso morreu subitamente umas semanas depois do encontro, o que é uma pena. Gostei muito de os conhecer porque, tal como o Sr. Gil Pinho, são dos alfaiates mais jovens do encontro.
Srª. Dª. Jéssica João da VOIL GallerySr. Fábio Pereira da VOIL GallerySrª. Dª. Vanessa da VOIL Gallery com o seu namorado
O Sr. Augusto Saldanha, do Porto, também estava presente. Tivemos uma conversa engraçada porque ele conhece muita gente da minha família, o que lhe fez auto-proclamar-se “o alfaiate da Foz”. É excelente porque é alguém muito acessível para quem vive no Porto como eu e vou poder falar com ele em breve.
Finalmente conheci o Sr. António de Oliveira da Alfaiataria Oliveira, em Águeda.
Sr. Augusto Saldanha, alfaiate no Porto
Prémios e fotografias do encontro nacional de mestres alfaiates
No fim do dia, houve uma entrega de diplomas e um sorteio de tecidos. O fotógrafo, João Araújo, imprimiu fotos que tirou no próprio dia e deu-as a cada um dos participantes, o que foi magnífico.
Conclusão: um dia memorável para a alfaiataria portuguesa
Em conclusão, fiquei surpreendido com o profissionalismo e a qualidade do dia. Pensei que seria um simples almoço mas acabou por se tornar em muito mais. Consegui fazer imensos contactos com alfaiates Portugueses para poder mostrar ao mundo a arte que temos no nosso país, o que é valiosíssimo para mim. Estou entusiasmado para a 35ª edição!
Podem encontrar mais artigos sobre o dia aqui e aqui.
Porque o comprimento das mangas importa no estilo clássico
Um dos erros cometidos pela maioria dos homens Portuguêses quando usam roupa clássica é terem as mangas do casaco a tapar os punhos das camisas. Isto tapa as vossas mãos e cria menos contraste, o que faz com que os homens pareçam bebés a usar a roupa dos pais. Uma noção errada do comprimento ideal das mangas da camisa costuma ser a causa.
Casaco da Brioni que era do meu Avô, que está demasiado comprido nas mangas
As causas: mangas dos casacos demasiado grandes ou mangas das camisas demasiado pequenas
A maioria dos casos vem de casacos cujas mangas não foram ajustadas correctamente. No entanto, ocasionalmente o casaco pode estar perfeito mas as mangas da camisa terem sidodemasiado encurtadas. Istojá aconteceu comigo e é mais fácil de errar do que eu pensava.
Hoje vamos explorar este tema com um exemplo prático pessoal.
Onde deve acabar a manga de uma camisa?
O conhecimento “geral” dita que a camisa deve acabar na base do polegar, e tem razão: esta é a medida certa. Desta forma ficamos com as mãos destapadas para as podermos usar à vontade.
No entanto, vou vos mostrar um exemplo pessoal do que pode correr mal quando se ajusta excessivamente uma camisa sem querer.
Comparação: comprimento ideal das mangas da camisa vs mangas curtas
Nas fotos abaixo exemplifico com uma camisa feita à minha medida na camisaria artesanal Fidúcia e uma camisa pronto-a-vesir da Giovanni Galli que mandei ajustar numa costureira.
Em ambas pedi para a medida ser a base do meu polegar, mas a manga da camisa da Giovanni Galli ficou demasiado curta, porque fui excessivamente zeloso.
A manga acaba na mão sem o punho estar apertado, e mesmo estando bastante engelhada. Notem a manga do braço de relógio: o punho deveria ser mais largo para não ficar preso no relógio
Estas mangas acabam 1-2cm acima de onde deveriam
Vista de lado com o meu braço relaxado na posicão natural. Notem que a camisa é demasiado curta no comprimento do corpo especialmente atrás, onde deveria cobrir o meu rabo
Com os braços relaxados, a manga não parece demasiado curta, mas está
A camisa da Fidúcia acaba na base do polegar mesmo quando estico os braços
Com os braços esticados, notamos que as mangas camisa da Giovanni Galli estão claramente curtas
A camisa da Fidúcia poderia estar mais comprida atrás, para cobrir o meu rabo
A camisa da Giovanni Galli cobre o meu rabo. Camisas pronto-a-vestir muitas assentam-nos melhores do que a primeira camisa à medida que fazemos, porque o molde ainda está a ser refinado. Notem o excesso de vincos nas costas sugerindo que poderíamos instalar umas pinças
Conclusão: confirmem sempre o comprimento antes de ajustar, e deixem um bocadinho mais comprida do que a base do polegar
Em conclusão, confirmem sempre o comprimento da manga da camisa quando a ajustarem ou se a fizerem à medida. Senão vão acabar com uma manga demasiado comprida que poderia ter sido evitada e que estraga um bocadinho o visual da camisa.
Aconselho a deixarem uma margem na manga de 0,5 a 1cm desde a base do polegar, para garantir que a camisa acaba no sítio certo quando ela se engelhar e encolher ligeiramente durante a sua vida.
Notem os alinhados, as costuras brancas que estão à mostra
Ajustar as calças
Primeiro ajustaram as calças.
O ATC (o meu amigo) decidiu deixá-las ter uma ligeira quebra sobre os sapatos. A Srª Dª. Céu deixou 4,5cm extra de fazenda dentro das aberturas das calças caso se queira soltar no futuro, o que é algo que os alfaiates e fábricas costumam fazer em contraste com as lojas pronto a vestir, que evitam ter tecido “extra” porque poupa dinheiro em larga escala.
Os bolsos das calças não estavam completamente fechados devido a alguma falta de tecido na frente das calças, por isso marcaram essa zona para se soltar.
Finalmente, a cinta foi apertada.
Para quem se esquecer dos sapatos, tal como aconteceu connosco, a Crialme tem um par de prova em todos os tamanhos para garantir que as calças saem como a prova promete.
A verificar a cinta
Ajustar o casaco
Em seguida, estava na altura de experimentar o casaco.
A primeira coisa que notei foi o facto dos alinhados estarem no casaco. Os alinhados são costuras na parte de fora do casaco que estão a segurar alguma parte interior. São geralmente brancos porque também servem a finalidade de verificar o alinhamento do corte do casaco.
Também notei na ausência de botões e de casas para botões, que é de esperar porque só são cortadas e cozidas depois de todas as alterações estarem feitas. Depois de cortar a fazenda e cozer as casas não dá para voltar atrás.
Em primeiro lugar, marcou-se a posição dos botões nas mangas.
Marcar a posição dos botões
Em segundo lugar, quando olhei para as costas do casaco notei que estavam muito engelhadas. A Céu disse que a causa era uma excessiva próximidade da fazenda às costas, por isso a fazenda foi libertada.
Vincos nas costas
Vincos das cistas, vistos de lado
Resultado final: fotos
O resultado final ficou espetacular, especialmente em termos de relação preço/qualidade. O ATC disse-me que o fato é bastante comfortável e que está verdadeiramente noutro patamar que os fatos pronto-a-vestir. Os ombros estão bem, o comprimento tmbém, o trespasse está atraente e as mangas estão no sítio certo.
Fato, impecavelmente combinado com outros acessóriosSobretudo por cima do fatoFato a ser usado no seu habitat natural, o escritório
Preços na Crialme
Por fim, falámos sobre os preços das peças pronto a vestir. Em baixo deixo o preçário aproximado das peças, embora possa ser diferente quando forem à loja.
Peças pronto-a-vestir (preços de entrada porque dependem sempre da escolha de do tecido)
Blazer >= 180€
Colete: não disponível em pronto-a-vestir
Fato >= 260€ a 305€
Calças: 70€ a 100€
Peças à medida (preços de entrada porque dependem sempre da escolha de do tecido)
Conclusão: A Crialme é uma boa escolha para fatos à medida da alfaiataria industrial
Em conclusão, um fato à medida Crialme é uma óptima escolha para quem se quer aventurar num patamar mais refinado e personalizado do estilo clássico masculino. A Crialme é sem dúvida uma referência em Portugal para peças pronto-a-vestir e para peças padronizadas à medida.
Gostei muito da minha experiência lá por isso vou voltar sem sombra de dúvida.
Na minha constante procura pelas empresas, marcas e alfaiates Portuguêses que produzem roupa clássica masculina, não tenho tido sorte em encontrar um fabricante que faça roupa à medida sem ser exorbitantemente caro. Ou encontro marcas de gama de entrada de pronto-a-vestir, como a John Tweed, lojas de pronto-a-vestir com tecidos e marcas caras e boas, como a Rosa Teixeira, ou alfaiates que estão fora das minhas possibilidades.
Até agora.
Já tinha ouvido falar sobre a Crialme através de vários familiares meus, por isso quando um amigo meu, ATC, decidiu subir a fasquia e comprar um fato melhor do que um pronto-a-vestir, sugeri-lhe irmos visitar este sítio que se tornou num mito no meu subconsciente.
Produzem tanto produtos prontos a vestir quanto de alfaiataria industrial (made-to-measure).
O que é a alfaiataria industrial?
A roupa produzida pela alfaiataria industrial é feita à medida com moldes padronizados e pré feitos, e depois ajustados através dum computador com as medidas de cada pessoa.
É um passo abaixo do feito à medida que se espera da alfaiataria artesanal, que desenha os moldes/padrões à mão e consegue ajustar todas as medidas e partes da roupa, mas um passo bastante acima do pronto-a-vestir.
Isto reflete-se no preço: geralmente os fatos da alfaiataria industrial são o dobro do preço dos pronto-a-vestir, e os «bespoke» são o dobro (e por vezes o triplo) dos da alfaiataria industrial, pelo menos em Portugal. Isto é, um fato pronto-a-vestir custa pelo menos 200-250€, um fato industrial pelo menos 400-500€ e um fato artesanal 800€.
Visita à loja e primeira prova do fato à medida da Crialme
Processo da marcação da visita à loja da Crialme
O primeiro passo foi marcar uma visita. Há dois horários diferentes: o da fábrica (Segunda a Sexta-feira, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 18:00), que é o horário que está no website, e o da loja (Segunda a Sexta-feira, das 10:00 às 12:30 e das 13:00 às 19:30, Sábados 9:30 às 13:00), que é o horário que se vê no Instagram.
Infelizmente não me responderam ao email que enviei para geral@crialme.pt (aparentemente foi para o lixo), por isso ligámos para o número que está no website (+351 255 868 200), que é o número da fábrica, e fizemos a marcação da visita. Há outro número que aparece nos cartões de visita (255 861 604) que talvez seja o número da loja.
Os tempos de espera entre a chamada e a marcação estão entre uma e duas semanas e recomendaram-nos marcar um período de 1:30h para a visita. Marcámos para as 18:30 da Quinta-feira, dia 21 de Novembro.
Primeiras impressões da fábrica da Crialme
A distância do centro do Porto à fábrica é de 35km, e chegámos com 15 minutos de antecedência. Ainda bem, porque tentámos entrar pela entrada da fábrica que estava fechada.
Entrada
Tapete de entrada
Sala de espera
Cartão
Felizmente uma funcionária viu-nos e informou-nos que a entrada para a loja se fazia por outro lado.
Loja da Crialme
Entrámos na loja e conhecemos a Srª. Dª. Céu que nos acompanhou durante todo o processo.
A loja estava bem iluminada, decorada com bom gosto e conseguimos ver um leque grande de produtos, de diferentes estilos e formalidades. Os sapatos interessaram-me logo. Por um lado, vi uns modelos horrendos de cores exóticas que nunca usaria na minha vida, mas por outro vi uns modelos clássicos com preços bastante competitivos: sapatos com a construção «blake» a 130€ e outros «goodyear» (em Português também se chamam «palmilhados») por 200€, da marca Calçado Penha.
Em termos de acessórios têm gravatas, meias, cintos, suspensórios, botões de punho e lenços de bolso, entre outros. Também têm algumas camisas prontas-a-vestir, mas não fazem camisas à medida. Recomendaram-nos o Sr. Fernando Queiroz da Camisaria Fidúcia, no Porto, que eu já conheço e gosto.
Fazer o fato à medida da Crialme
Escolher os detalhes do fato
Depois de termos dado uma vista de olhos pela loja, sentámo-nos com a Srª. Dª. Céu para escolher os detalhes do fato. O meu amigo já tem os fatos basilares, por isso queria fazer um fato clássico e versátil que não se consegue encontrar facilmente em lojas: um fato trespasse.
Aprendi com a Céu, entre muitas outras coisas, que se costuma usar o termo «trespasse» ou «trespasse duplo» no Norte e «assertoado» no Sul.
Sala das amostras de tecidos e fazendas
A fazenda
O ATC escolheu um modelo intemporal com 6 botões, numa fazenda (também se pode chamar tecido) “midnight blue” (que é o azul mais escuro que se pode usar para smokings). Esta fazenda fazia parte do inventário da Crialme, então foi mais acessível do que outras opções.
No entanto, o leque de escolhas de marcas, cores e padrões é quase infinito: Dormeuil, Loro Piana, Holland & Sherry, Colombo, Drago, Zegna e outras.
Fomos informados que é a escolha de fazenda que determina o preço de cada fato à medida na Crialme e não o modelo ou os detalhes que se preferem.
Diferentes opções para casacos trespasse
Comparando azul marinho e “midnight blue”
O forro
Para o forro, azul escuro para o corpo e azul-bebé com uma risca para as mangas e os bibes dos bolsos.
Deram-lhe a opção de ter um pequeno texto bordado no forro do casaco, ou com o seu nome inteiro ou com as suas iniciais. Escolheu a segunda opção num azul bébé (a cor 007) com a «Monotype Corsiva» como fonte tipográfica. Exatamente o que eu escolheria.
Também ofereceram para colocar a etiqueta do tecido (Vitale Barberis Canonico) no interior do casaco, detalhe que foi considerado irrelevante.
Combinação de fazenda, forro e forro para os detalhesOpções de fontes tipográficas para o bordado do forroOpções de cores para o bordado do forro
Para a parte de baixo da gola, que só fica visível quando se levanta a gola para nos protegermos do vento gelado, um tecido azul escuro. Lapelas em bico, que são as únicas apropriadas para um fato trespasse visto que são mais formais, e com picotado.
Opções para a parte de baixo da gola, escolheu-se a mais escura
Os bolsos
Escolheu bolsos de portinhola, ou «com pala», com um terceiro bolso acima do bolso direito, apelidado «bolso de bilhete».
Os botões
Os botões escolhidos foram azuis escuros, a fim de não condicionarem a escolha de sapatos para serem da mesma, porque se fossem pretos ou castanhos condicionariam (no entanto sou da opinião que este fato só se deve usar com sapatos pretos). Para o fim, mantiveram-se as rachas duplas.
Opções para os botões
Calças
Para as calças, preferiu que tivessem presilha em bico centrada na lateral (no cinto), em vez de passadores para o cinto ou só botões para suspensórios.
O cós do cinto (interior das calças) vai ficar às risquinhas azuis bebé, semelhantemente a uma parte do forro do casaco, e terá uma barra de silicone para fazer aderência à camisa para não sair de dentro das calças. Não terão dobras na abertura (cuffs em Inglês), porque dobras tornam as calças menos formais, e para compensar essa falta de fazenda extra que ajuda a fazer peso para as calças caírem mais elegantemente, foi-lhe recomendado adicionar uma «fita guarda-lamas». Curiosamente algo que faltou foi discutir a existência de pregas, por isso assumo que as calças não as terão.
Fita de silicone no cintoPpções para as presilhas nº1Ppções para as presilhas nº2
Com tudo escolhido, era altura de tirar as medidas.
Tirar as medidas
Tirar as medidas das calças
Em primeiro lugar, começou-se pelas calças. Precisava-se de saber qual seria a altura do gancho (que determina onde o cinto vai ficar no nosso corpo). Posto doutra maneira, esta medida determina se as calças vão ser de cinta descida ou subida. O ATC decidiu aumentar a altura ligeiramente, com o propósito de que o cinto ficasse perto, mas não tocasse no umbigo, o que é uma boa escolha para evitar o «triângulo das bermudas».
Depois apertou-se o cinto e ajustou-se a cava do gancho para evitar que houvesse demasiado tecido no rabo. A Crialme deixa 6cm de fazenda extra nas calças para se poder alargar as calças caso engordemos.
De seguida mediu-se o comprimento das calças e depois escolheu-se a largura da abertura das calças nos sapatos, que se aumentou. A largura nas coxas e nos gémeos manteve-se como a original. A Céu recomendou não fazer um corte atrás no cinto em V, para se poder alargar as calças sem se notar.
Apertando o cinto
Escolhendo o comprimento e a largura da abertura das calças
Tirar as medidas do casaco
Passando ao casaco, o ATC começou por vestir um casaco padrão tamanho 50 nos ombros para termos um ponto de referência.
Ombros e comprimento
Manteve-se o comprimento do casaco, que tem de dividir o corpo ao meio (uma boa forma de verificar é ver se conseguimos agarrar no casaco fechando as mãos com os braços esticados, porque os braços dos homens geralmente acabam a meio do corpo). É importante que os ombros sejam escolhidos de acordo com a largura que temos hoje, porque não se podem alargar. No entanto, pode-se apertar os ombros mesmo que não seja eficiente na ótica financeira.
Costas e mangas
Todavia, apareceram vincos horizontais e verticais nas costas, que podem ser causados por falta de largura nos ombros ou por uma inclinação dos ombros que o casaco não está feito para acomodar. Também se teve em conta na orientação dos ombros (dianteiros ou traseiros). Depois rodou-se as mangas para evitar vincos nessa zona. É a beleza de se fazer um fato à medida na Crialme: poder ajustar estes pormenores.
Cinta
Em seguida apertou-se a cinta. Escolheu-se a posição do botão, que é mais difícil de fazer com casacos trespasse. A Srª. Dª. Céu pediu ao ATC para desapertar o botão sem olhar e ele tocou num sítio abaixo do botão atual, o que significa que é a zona mais confortávelpara o botão.
Lapelas
Manteve-se a largura das lapela/bandas/virados. Logo depois, escolheu-se a altura da linha de praça, que separa a gola da lapela, baixando-se ligeiramente.
Vendo os vincos das costas causados por ter os ombros mais inclinados do que o casaco permiteRodando as mangasAltura da linha de praça
Tempos de entrega
Deram-nos um prazo de 1 mês para fazer o fato por isso marcámos a 1ª prova para dia 16 de Dezembro. Disseram-nos para trazer sapatos e uma camisa que se vai usar com o fato, o que fizemos já na primeira visita que recomendo a fazerem, visto que nos deu bastante jeito. Tragam também uma gravata para fechar a camisa, visto que o colarinho fica diferente com uma gravata. O ATC partilhou o seu número de telemóvel para o poderem contactar e, em seguida, a Srª. Dª. Céu deu-nos o privilégio de vermos como se metem as escolhas e medidas no sistema informático. O fato ficou por 450€, que só se paga quando se recebe o produto final.
Folha com medidas
Folha com medidas
Corredor com peças
Preços das peças feitas à medida da Crialme
Em termos de preços, peças à medida dependem sempre da fazenda escolhida, por isso os seguintes preços são os preços mínimos, com o tecido mais em conta, para cada peça:
Calças >= 110€
Colete >= 100€
Casaco >= 260€
Fato >= 400€
Fraque (casaca, calças, colete) >= 700€
Sobretudo >= 400€
Não fiz muitas perguntas sobre preços de peças pronto-a-vestir, mas vimos sobretudos de lã bons, suficientemente compridos e quentinhos por 190€, o que é bastante em conta. Talvez seja o meu presente de Natal para mim próprio.
Sobretudos pronto-a-vestir
Em conclusão, ambos gostámos muito da experiência e esperemos que o fato consiga fazer jus às expectativas. No próximo artigo nesta série sobre a Crialme, vamos falar sobre a 1ª prova do fato e também explorar mais o pronto-a-vestir da loja da fábrica.
Um grande agradecimento à Srª. Dª. Céu que me respondeu a todas as perguntas que eu fiz (e eu fiz muitas, mesmo muitas perguntas).