Exmas. Senhoras e Homens Clássicos, teriam confiança numa dona de uma frutaria que não vos consiga dizer de onde os seus pêssegos vêm e se cresceram com a ajuda de pesticidas? Eu não teria. O mesmo se passa cá nesta indústria, onde há uma grande falta de transparência das marcas de roupa clássica em Portugal.
Enquanto em todos os outros países, tal como em Espanha, marcas como a TLB Mallorca e a Carmina têm descrições detalhadas dos seus produtos (neste caso sapatos), as marcas portuguêsas recusam-se a seguir o seu exemplo, que as prejudica.
Como um anúncio de um produto deve ser
Vamos começar por analisar um anúncio da Carmina.


Como podemos ver neste anúncio, que nem é dos mais completos, identificamos logo:
- A forma que é usada (e a Carmina tem uma secção a explicar as diferentes formas que usam e a que medidas correspondem no nosso pé)
- O tipo de construção (incluíndo o estilo da vira)
- A sola,
- A fábrica de curtimenta de onde o cabedal vem
- O estilo do padrão da gáspea.
Dou uma avaliação de 7/10, porque a TLB Mallorca é ainda mais completa que a Carmina.
Agora vamos passar para uma marca Portuguesa líder no mercado. Gosto muito da Labrador. É das melhores marcas pronto-a-vestir de roupa clássica em Portugal e, porque gosto dela, vai ser usada como exemplo.
Como um anúncio de um produto não deve ser
Vamos analisar um anúncio da Labrador.


Como conseguimos ver neste anúncio na Labrador, estes sapatos são feitos de 100% pele. Obrigado Labrador, fiquei realmente esclarecido. Só tenho um par de perguntas:
- A sola é feita de pele?
- O forro é feito de pele?
- A palmilha de montagem é feita de pele?
- A testeira e o contraforte são feitos de pele?
- Os cordões são feitos de pele?
- As costuras são feitas de pele?
- A alma (ou «shank», ainda não confirmei este termo) é feita de cabedal?
- O tacão é 100% pele, em camadas?
- De que fábrica de curtumes veio a pele?
- Que tipo de método de construção foi usado?
Porque importa a transparência no mercado de roupa clássica
Isto é um grande problema para o consumidor e um ainda maior para uma marca. Mesmo que a não existência de uma descrição não desencoraje uma pessoa leiga de comprar os seus produtos, uma pessoa com o mínimo de conhecimento prefere não arriscar e escolher a uma marca que tenha confiança nos seus produtos. Aliás, se estamos a esconder alguma coisa ou é por ignorância ou por insegurança, e haverá quem acredite que estas características são atraentes?
Não me interpretem mal, não estou a dizer que um consumidor normal precisa de saber todos os detalhes de um par de sapatos – até porque demasiada informação pode levar a uma certa paralisia de decisão. No entanto, há informações básicas e importantes que sem elas, um consumidor não tem a certeza do que está a comprar. Logo, não compra. Ou opta por outras marcas que são mais transparentes.
É preciso uma mudança de mentalidades em Portugal e, como sempre, esta mudança está a começar pela educação dos consumidores e uma pressão por indivíduos especializados, como eu, para que haja mais transparência nos produtos. E é por isto que tenho o maior diretório de roupa clássica em Portugal disponível.
Labrador, ou qualquer outra marca, se precisarem de ajuda sabem como me contactar.
Um abraço,
Luís
