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Museu do Calçado: Visita, História e Processos de Fabrico

Na Quinta-feira dia 11 de Setembro, o meu amigo Fred e eu visitámos o Museu do Calçado em S. João da Madeira. Lá aprendemos os passos da construção de um par de sapatos, a história do calçado e algumas visões para o futuro desta indústria em Portugal.

Neste artigo, qualquer palavra que esteja entre «» é a tradução Inglêsa das palavras em Português.

Estátua de um sapateiro en bronze.

O Museu do Calçado situa-se no antigo edifício da fábrica da Oliva, uma marca portuguesa extremamente predominante no pós Segunda Guerra Mundial, conhecida pelas suas máquinas de costura. Noutro piso há o Núcleo Histórico da Oliva, que conta a história desta marca icónica.

Entrada do Museu do Calçado.

Já queria lá ir há muito tempo para aprender os termos do calçado em Português. Existe imensa literatura, vídeos e blogs em Inglês que divulgam este conhecimento nessa língua, mas em Português é algo raro. Temos a tendência de adoptar estrangeirismos quando temos termos perfeitamente utilizáveis, que é algo que pessoalmente desgosto, por isso vim cá ganhar este conhecimento. Felizmente, consegui e vou partilhar convosco em artigos futuros.

Quando chegámos ao museu fomos acolhidos pela Srª. Drª. Raquel que muito simpaticamente se ofereceu para nos dar uma visita guiada. Quando o Fred e eu referimos que estávamos lá em nome do blog “Homem Clássico”, sugeriu chamar a responsável pelo museu no momento, a Srª. Drª. Sara Paiva, que nos levou por uma visita guiada fascinante.

Na sala inicial está montada uma exposição experimental representando designs com materiais e padrões tradicionais, como tapete e mantas.

Sapatilhas feitas de tapete.
Sapatilhas feitas de tapete
Socas

O Processo de Fabrico de um Sapato (resumido)

Na sala seguinte, vemos uma representação de um sapateiro tradicional a fazer sapatos à mão «bespoke», algo raro em Portugal. A Srª. Drª. Sara disse-nos que não está fácil encontrar quem continue esta arte no nosso país e que não conhecia ninguém que o fizesse ainda.

Escultura de um sapateiro.

Em seguida, a sala abre-se num pavilhão onde se aprende o processo de fabrico de um par de sapatos.

Um sapato tem 5 passos de fabrico depois de se ter a forma/molde «last» pronto:

  • Modelagem «modelling/design»
  • Corte «clicking»
  • Costura «closing/sewing»
  • Montagem «lasting»
  • Acabamento «finishing»

Muito resumidamente, primeiro escolpe-se uma forma em madeira ou em plástico na semelhança de um sapato. Em seguida, modela-se o padrão que o cabedal terá no final, em papel ou fita de pintor, desenhando as linhas de costura do sapato.

Creadora de moldes para sapatos
Pantógrafo, utilizado para transferir e redimensionar figuras

Depois corta-se o cabedal na forma destes padrões, com a ajuda de uma prensa.

Prensa de calçado
Prensa de calçado

Cozem-se os pedaços de cabedal que serão depois esticados por cima da forma para dar formato à gáspea «upper».

Gaspeadeira Singer
Gaspeadeira da marca Singer
Máquina de montagem de calçado.
Máquinas da montagem

Depois, junta-se a sola «outsole» à gáspea e à palmilha de montagem «insole» através de um dos sistemas de montagem (pode ser colado, Blake, Goodyear ou qualquer outro). O tacão «heel» depois é montado. Finalmente, dão-se os toques finais: lixam-se os perfis da sola, engraxam-se os sapatos, fazem-se as marcações a laser na sola, entre outras.

Máquina de acabamento de calçado
Máquina de acabamento

A Srª. Drª. informou-nos que as gaspeadeiras à mostra no passo da costura são da Singer e não da Oliva, porque a Oliva fabricava máquinas de costura para tecidos e fazendas, não para couro.

Viagem pela História no Museu do Calçado

Para além das primeiras duas salas, há uma terceira exposição montada em 3 corredores que apresenta a evolução do calçado: de sandálias simples, a sapatos medievais onde se cozia a sola à gáspea por fora e depois virava-se os sapatos do avesso, até ao período moderno com as construções que todos conhecemos. Foi aqui que a Srª. Drª. Sara Paiva brilhou com o seu conhecimento.

Contou-nos que as sandálias em ouro sólido encontradas no túmulo do rei Tutankamon tinham gravadas imagens dos seus inimigos, sinalizando que o rei os “espezinhava” sempre que dava um passo.

Contou-nos que os romanos consideravam que tapar os dedos dos pés era sinal de barbárie, porque era o que os povos do Norte faziam.

Na época medieval, ensinou que a palavra sabotagem tem origem numa revolta em França onde os camponeses pegaram nas suas solas de madeira, apelidadas de “sabots”, e atiraram-nas ao seu senhor.

Sapato sabot

Na Renascença, mostrou-nos sapatos de plataforma de cortiça para as cortesãs Venezianas, que são surpreendentemente fáceis de andar, que mas os pés cansam menos se estiverem pousados em madeira quando se está parado.

Sapatos da época da renascença

Durante o absolutismo, mostrou-nos como os tacões vermelhos dos sapatos dos nobres próximos do rei Rei Luís XIV simboliza a todos em Paris a sua alta posição na corte. 

Réplica de um sapato do rei Luis XIV
Réplica de tacões da Marie Antoinette
Réplica de um sapato feminino da corte de Luís XIV
Sapatos dos anos 1990

A sala das celebridades

Na penúltima sala conseguimos ver expostos sapatos de vários designers, marcas, celebridades e políticos famosos, como o António Guterres, a Catarina Furtado e um dos membros dos Black Mamba.

Exposição sapatos
Sapatos clássicos masculinos

Final da visita ao Museu do Calçado

No final, tirámos uma fotografia que foi publicada no Instagram do Museu do Calçado e acabei por comprar o livro do museu, para referência futura.

O museu também tem um website com uma visita virtual interactiva que se pode fazer online e que está bastante completa, nada se compara à visita do local.

Um grande agradecimento a todos do Museu que nos deixaram gravar e tirar todas as fotografias que quisermos. Aconselho todos a irem lá, a seguir o Museu do Calçado no Instagram e a ver o vídeo que publiquei no Instagram.

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