ste fim de semana tive uma desilusão que me pôs a pensar sobre a sorte que tenho tido, graças a Deus, e sobre como algumas dificuldades podem abalar bastante as pessoas que estão a desbravar caminhos novos e a lidar com pessoas de outras gerações.
A história da falsa marcação
Na semana passada, um artesão contactou-me através do Instagram para saber se eu queria comprar um par de sapatos feitos à medida. Fiquei logo curioso, porque em Portugal ainda não conheci nenhum sapateiro «bespoke» como os que se encontram no estrangeiro: sapateiros que esculpem as formas em madeira e que constroem o sapato a partir daí, de forma verdadeiramente artesanal.
Durante a conversa, sugeri ir à sua cidade durante a manhã de sábado (que é quando estou disponível), a uma hora de distância da minha, para conversarmos e talvez filmar algum conteúdo para O Homem Clássico.
O encontro ficou apalavrado e comecei a juntar os materiais. Dois dias antes da entrevista, o senhor ficou desconfiado e perguntou-me se era de uma revista ou de um canal de televisão e se eu conhecia potenciais clientes para os seus produtos.
Disse-lhe para rever a minha conta de Instagram e os resultados do meu trabalho: neste momento tenho 19.800 seguidores, que são todos potenciais clientes.
Na sexta-feira, enviei uma mensagem para confirmar a visita e perguntar a morada, mas recebi um grande silêncio como resposta. No sábado de manhã, voltei a enviar uma mensagem a saber se estávamos combinados para as 11h e, mais uma vez, nada.
A primeira coisa que me passou pela cabeça foi:
— A sério que acordei cedo num sábado para isto?
No entanto, tive de pensar duas vezes e cheguei a uma conclusão.

Sou um sortudo por ter tido a confiança da maioria dos alfaiates e artesãos
Desde que comecei a entrevistar artesãos, tenho tido imensa sorte e tenho recebido a confiança da parte de quem gastou o seu tempo para falar comigo.
Tive pessoas a aceitar serem entrevistadas quando tinha 500 seguidores e nem sabia bem do que estava a falar. Que grande salto de fé da parte delas.
Acho que, em 20 pessoas, só uma é que falhou os compromissos comigo, ou até menos. 95% das pessoas cumprirem com a sua palavra é uma estatística incrível.
Para quem me tem ajudado, sinto que tenho correspondido às expectativas.
Para quem tem receio, compreendo perfeitamente quem desconfie de algo que se diz «grátis» e sem contrapartidas, com exceção do tempo da pessoa. As pessoas mais velhas, por vezes, têm dificuldade em compreender por que razão um rapaz de 24 anos se oferece para as gravar, editar e publicar vídeos que, na realidade, são vídeos promocionais, sem cobrar um tostão.
Mesmo que o provérbio «quando a esmola é grande, o pobre desconfia» acerte em muitas ocasiões, no meu caso o objetivo é aprender sobre as artes e dar a conhecer este mundo a mais pessoas que o apreciem, para espalharmos uma forma de viver mais bonita e duradoura.
Logo, se tem dúvidas quanto a mim, tenho mais de 130 vídeos publicados e centenas mais por publicar, com artesãos cujos contactos estão disponíveis na internet e neste website. Ligue-lhes e tire as suas dúvidas. Qualquer um deles pode dar o seu testemunho.
Para quem está a fazer um trabalho semelhante ao meu, noutras áreas, artes e indústrias, sugiro que nunca pare. No meu caso, consegui a confiança da comunidade dos alfaiates porque fui introduzido por um dos organizadores, o que ajuda sempre. E tenho tentado cumprir ao máximo aquilo que ficou combinado.
Em conclusão, pode sempre acontecer que uma pessoa entrevistada acabe por nos dar «ghost», mas isso fala muito mais sobre a sua desconfiança do que sobre o nosso caráter.
Talvez consigamos à segunda ou à terceira.
Um abraço,
Luís
